[ANIMES] TOKYO GHOUL (resenha): ou “Ghoul, a Máscara”

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Existem algumas coisas nesta vida que eu nunca vi, e a esta altura dos acontecimentos duvido muito que vá vê-las. Tipo, ver o Tiririca lendo alguma coisa ao vivo, uma floresta sem mosquito, e ver Vampiro: A Máscara ser jogado como o livro propõe. Não estou dizendo que não existe, apenas que eu nunca vi e duvido que vá ver um dia.

Na teoria, o que o livro diz a respeito do jogo é que é uma narrativa de horror pessoal e uma desconstrução da humanidade, enquanto você mergulha em uma sociedade doentia e profana. Na prática, com as regras que o livro apresenta, e como os jogadores as aplicam, é uma mistura de Matrix com Dragon Ball, onde o objetivo é medir quem tem o maior pinto (tipo “meu personagem joga um carro no seu”,“ah é? e o meu joga uma casa!”). Sei lá, talvez eu só tenha tido experiências ruins, mas certamente muitos de vocês se identificarão mesmo assim.

Mas o que importa é que vocês devem segurar esse pensamento, porque ele é altamente relevante para a resenha de hoje: Tokyo Ghoul. E não, não é sobre um time de futebol de Tokyo que faz muitos ghouls – por pensar em trocadilhos assim que eu realmente entendo porque não tenho amigos… mas, enfim, prosseguindo…

Tokyo Ghoul é um dos mangás mais populares e vendidos da história mundial no Japão nos últimos meses, e agora em 2014 era inevitável que o primeiro arco do anime fosse produzido (graças aos antigos deuses e os novos, eles adotaram a política de temporadas, como Attack on Titan, e pararam de inventar merda filler… que, com exceção da Saga de Asgard de Cavaleiros do Zodíaco, é só encheção de linguiça nas coxas)

Então, vem comigo! (referência de tiozão detectada)

A abertura, que é realmente muito boa…

O CONCEITO

Existe uma cidade em TOKYO Ghoul cujo o nome não é dito, e que, por este motivo, chamarei de AnimeMegaCity. Tá, esse nome ficou uma bosta, e jamais usarei ele novamente. Seja como for, AnimeMegaCity (duh) é dividida em distritos, e nossa história se passa no amistoso Distrito 20 que a sorte esteja sempre a seu favor -q

AnimeMegaCity, no entanto, tem uma característica bastante peculiar, com a qual as pessoas já estão acostumadas: existem ghouls vivendo nela. Todo mundo sabe disso, não é segredo algum para ninguém, e a vida segue de boa na lagoa. Mas o que são Ghouls? Ora, e o que NÃO SÃO ghouls!? (mentira, essa frase não tem nada haver, desconsiderem ela)

Ghouls são uma raça de criaturas que parecem com seres humanos, mas que são fisicamente incapazes de se alimentar de qualquer coisa que não seja carne humana (e café, todos amam café), e que, por motivos marysuísticos de clichê de anime, também têm superforça, supervelocidade, capacidade de regeneração, e projetar um tipo medonho de coisa das costas tipo “Elfen Lied encontra American Horror Story“,  por aí. Porque é anime, e tem que ter um poderzinho pra medir pinto, né? Tipo “meu kagome é maior que o seu blablabla”

... alguém vai acabar sendo comido! (sim, eu não valho nada)

… alguém vai acabar sendo comido!
(sim, eu não valho nada)

Nossa história começa com o nerd estudante universitário Kan… epa epa epa, perae, pediu pra parar parou! (insira som de disco riscando). Repararam no que eu disse? Ele é um UNIVERSITÁRIO e NERD. Não, não é colegial, e nem otaku, ou aqueles mimimi que normalmente vemos em anime. Ele é nerd pra caralho, você vê na postura dele, no jeito que ele fala, e como ele fala com as garotas –  novamente não o clichê timidez de anime, mas um grau de nerdice com que estamos muito mais relacionados.

Então, Kaneki é um nerdão virjão, que tá lá fazendo suas coisas de nerdão virjão, quando uma cocotinha gatinha paraocaradoalho parece estar dando mole pra ele. É tipo a garota perfeita: tímida e nerd como ele também. Uau, tudo que ele (ou qualquer um) sempre sonhou!

Festa duro, manolo!

Festa duro, manolo!

Bem, se tem algo que eu aprendi nesta vida – sobretudo a respeito de mulheres – é que se tem uma coisa que parece boa demais para ser verdade… provavelmente é bom demais para ser verdade mesmo.

E como o tema deste anime são ghouls, não era de se estranhar que a mina queria mesmo era comer ele (literalmente, esclareça-se). Só que umas paradas muito loucas acontecem, e ele acaba virando um único e raríssimo (se é único, claro que tem que ser raro, né, cabeça de bagre?) meio-ghoul. Metade ghoul, metade humano, totalmente emo.

… e a versão literal, que é muito mais legal

O COMEÇO E O FIM DE UMA OBRA-PRIMA

Piadinha a parte, o primeiro episódio do anime é muito, muito bom. Se não o melhor, eu diria, que seguramente está entre os 5 melhores primeiros episódios que eu já vi na vida..

Quando eu jogava RPG eu brincava dizendo que o meio-elfo deveria ter uma orelha de elfo só e a outra de humano. Aparentemente roubaram minha zoeira para o "meio-ghoul"

Quando eu jogava RPG, eu brincava dizendo que o meio-elfo deveria ter uma orelha de elfo só e a outra de humano. Aparentemente roubaram minha zoeira para o “meio-ghoul”

Ele é visceral, impactante, constrói o mundo muito bem, planta um monte de ganchos que te deixam interessado em assistir, tem um desenvolvimento de personagens intimista e bem feito – tanto que dá para aferir muitas coisas apenas pelos trejeitos do personagem. Enfim, é show de bola.

Eu pensei com meus botões: cara, se o anime seguir nesse ritmo e melhorar (como é o normal acontecer), a série toda vai ser fácil o melhor anime de todos os tempos. Fácil.

O último episódio (o décimo segundo) consegue ser melhor ainda. Ele é perturbador, revoltante, angustiante, filosófico, faz você pensar e refletir, o episódio todo é sobre a desconstrução psicológica do personagem, com uma cena de ação no final que dá gosto.

O último episódio, sem brincadeira, era EXATAMENTE o que DEVERIA ter sido o final de Evangelion. Sem tirar nem por, Evangelion tinha que ter terminado DESTA EXATA maneira (claro que transpondo para a realidade de Eva, né?). Seria perfeito. Espetáculo puro.

Então, se o primeiro episódio é um arregaço, e o último é um espetáculo, esse é,  tipo, o melhor anime ever, certo?

Hmm… não exatamente…

Ando numa forever alonisse tão grande que eu de boa considerava a proposta hehehe

Ando numa forever alonisse tão grande , que eu de boa considerava a proposta hehehe

O QUE FODE É O MEIO-CAMPO (ou porque GHOUL: A MÁSCARA não funciona)

Tokyo Ghoul tem um excelente começo e um final melhor ainda, mas entre estes dois pontos… é difícil acreditar que estamos assistindo o mesmo anime.

O grande conceito do anime é que o Kaneki é um meio-ghoul, como ele mesmo define, o seu corpo é de ghoul mas sua mente é de humano. Isso quer dizer que ele precisa, fisicamente, comer pessoas, mas ele tem a consciência de que não rola fazer isso, porque… cara, é comer uma pessoa? Eu preciso mesmo explicar o que tem de errado com isso? Sério? Sérião?

AVISO: essa cena se repete muitas vezes durante o anime. Muitas.

AVISO: essa cena se repete muitas vezes durante o anime. Muitas.

E nesse aspecto que vem as grandes semelhanças com o RPG da White Wolf: o foco do personagem é o horror pessoal contra a besta da fome, e a degeneração da sua humanidade.

Adicione a isso muitos outros elementos do RPG: a sociedade dos ghouls é dividida em clans (embora menos formalmente, mas é), com seu próprio conjunto de regras e hierarquia. Tipo, em tal distrito manda fulano e se faz as coisas assim. E uma das regras da sociedade ghoul é “a máscara.”

Só que enquanto no RPG isso é uma metafora, aqui é literal: os ghouls têm que usar máscaras para ir caçar, porque a polícia de AnimeMegaCity não é incompetente, e eles vão acordar com a boca cheia de formiga diet se derem mole. Isso é uma coisa muito legal do anime: apesar de todo poder que os ghouls têm, eles que ficar com o cu na mão para não dar mole para os humanos, e isso faz o cenário funcionar.

Embora não seja dito abertamente, as referencias a Vampiro: A Máscara são muitas realmente, e isso é feito de uma forma bem bacana.

Mas, se você lembra bem e/ou não sofre  de narcolepsia, é nessa parte que o carro desanda. Pois, apesar do excelente cenário proposto, das raízes bem fundamentadas para o mundo e os personagens, a execução é… comum.

E por comum entenda-se DÁ-LHE CLICHÊ DE ANIME NO LOMBO!

yo dawg, eu ouvi que você gosta de bocas então eu coloquei uma boca dentro da minha boca!

Yo dawg, eu ouvi que você gosta de bocas, então eu coloquei uma boca dentro da minha boca!

O Kaneki é complicado de se gostar. Ele é absurdamente ingênuo, meio chorão, tem um aparência pouco chamativa. Sim, pois é, eu sei exatamente em quem você está pensando, e vou te dizer que a pegada é bem por aí mesmo.

Sua recusa por comer carne humana no início é um drama válido e bem explorado, mas em determinado ponto, parece que o anime simplesmente cansou do assunto e não se fala mais nisso. Sério, aparece uma solução simples, que é explicada em dois minutos, e todo drama psicológico está resolvido.

Só que não é só isso. Aí, a essa altura, o anime já virou um shounen de luta de poderzinhos entre os ghouls, e o que pega agora é a recusa dele de matar alguém. E embora seja ok ele ser uma pessoa com princípios morais, isso é explorado ao nível da idioticidade que até o Shun de Andrômeda chamaria ele de cuzão, na moral.

"Foi mal, eu só fiz aquilo porque eu só queria te comer". Quem nunca, né?

“Foi mal, eu só fiz aquilo porque eu só queria te comer”. Quem nunca, né?

Mas se fosse só o protagonista… todo miolo do anime parece uma aventura ruim de Vampiro, em que se resume a aparecer um ghoul mais fodão (ou algo equivalente a isso) para desafiar Kaneki e seus amiguinhos de alguma forma. Você tem a clara sensação de que, se tirasse o cenário e mantivesse só as lutas, o anime não mudaria em muita coisa realmente (sério, tem direito até a salvar mocinha raptada).

Insira aí crianças prodígio e personagens de anime totalmente fora do contexto – tipo, a força tarefa da polícia de combate aos ghouls é bem séria e realista, aí do nada brota uma paródia do L de Death Note lá… imagine se largassem o L na cena com o Comissário Gordon em Dark Knight do nada, pois é bem isso.

Isso que quando quer ser dramático, o anime faz isso com a emoção da Voz do Brasil. Sério, pelo menos com dois episódios de antecedência, você já sabe quem vai morrer e de que forma, de tão cliche de anime que é. E pra melhorar ainda, a “mocinha” tsundere da história é uma colegial fodona, pra variar… Sério, a gente não podia ter ficado com a coisa de universitários com mais de 14 anos? A ideia era boa…

Tokyo Ghoul, a rebelião das máquinas

Tokyo Ghoul, a rebelião das máquinas

Verdade que a Touka (a tal mocinha) ainda é o melhor personagem entre os protagonistas, mas isso não é lá dizer grandes coisas realmente…

O desenvolvimento dos personagens coadjuvantes, quando não é tedioso, é sem sentido. Tipo, o cara vendeu uma máscara pro Kaneki, igual ele faz para todos os outros ghouls, viu ele duas vezes na vida, e na “batalha final” se oferece pra arriscar o seu toba pra ajudar o Kaneki. Causidique, meldelws? Ah sério… e o anime é cheio de mimimi assim.

Sem contar que a coisa toda sofre de uma terrível, doentia e tediosa síndrome de Elfen Lied: chocar por chocar é o que vale, para que, se você tiver 14 anos (ou tal idade mental), possa dizer que assiste uma coisa super madura e séria.

Só que não, né?

Enfim, Tokyo Ghoul é exatamente como “Vampiro: A Máscara“: tem uma excelente introdução, mas na execução a coisa degringola de tal forma, que você realmente duvida se estão falando da mesma coisa.

Esse é o vilão da série, que é apelidado de Jason. Tem que se admirar a presença de espirito dos caras... assim como a qualidade de seus advogados

Esse é o vilão da série, que é apelidado de Jason. Tem que se admirar a presença de espirito dos caras… assim como a qualidade de seus advogados

No fim, a animação é boa, a trilha sonora não é muito variada, mas a música tema encaixa bem, e realmente eu tenho pensamentos mistos em relação a este anime, se vou continuar assistindo na segunda temporada. Se for como o primeiro e o último episódio, é um arregaço de anime que vale ser assistido até embaixo d’água, mas o miolo dele é bem “meh…”

nota-3

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