[ANIMES] – JORMUNGAND (resenha): o Senhor das Armas versão anime

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Hoje em dia, quando se fala em anime, a primeira coisa que vem à mente é quantidades infinitas de moe, metrossexualidade e medições dragonballianas de poder.

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Por isso, eu fiquei bastante animado com o conceito de Jormungand: Koko Hekmatyar é uma traficante de armas que, com seu pequeno séquito de guarda-costas, apronta altas confusões no mundo do comércio de armas. Afinal, você não faz alguns bilhões de dólares fomentando guerras que matam e desabrigam milhões de pessoas sem fazer alguns inimigos.

Isso quer dizer, é claro, muito pipoco de bala comendo, explosões, situações moralmente nebulosas, pessoas nem tão ruins fazendo coisas muito ruins.

Ou seja, não tem como não lembrar do clássico filme de ação “O Senhor das Armas” com um feeling de “Mercenários“. E isso é bom. Caralho, essa ideia é ótima, na verdade!

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Adicione o fato que japoneses não são exatamente conhecidos por seu amor por armas de fogo, e ação blockbuster como Hollywood nos acostumou, e ver um anime sobre isso é uma mudança bem vinda de paradigma.

Mas será que o anime atinge uma premissa repleta de vitória?

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PRÓS: A VITÓRIA ESTÁ NOS DETALHES

Uma das coisas mais legais do anime é a atenção que eles deram às especificações e procedimentos táticos paramilitares, que mesmo Hollywood costuma ignorar com frequência.

Por exemplo, atiradores snipers não costumam ser lobos solitários como a ficção nos mostra. A forma mais eficiente de trabalhar é em pares: ter alguém no rifle e alguém para dar cobertura, observar o campo de batalha. Sabe quando você está jogando um jogo de tiro e pára, afim de mirar em alguém, e leva um fincaço na bunda, porque sua visão estava focada em mirar? Pois é, por isso snipers não trabalham sozinhos, dada a opção de escolha.

Esse é o nível de cuidado e atenção que o anime emprega com as armas e equipamentos. Alcance, frequência de tiro, modelos, tudo é feito com bastante capricho. Ao contrário do que acontece nos animes em geral, Koko não é uma supercombatente, ou soldado fenomenal por trás da aparência de menina magrela: ela é só uma menina magrela mesmo.

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Aliás, as garotas que são tão fortes fisicamente quanto os caras são, quem diria, fisicamente fortes quanto os caras. Isso quer dizer que elas são grandes e musculosas de treinamento físico, e não colegiais de 14 anos magrinhas, que inexplicavelmente tem a força de 15 homens. Pode não atender os fetiches onanísticos otakus, mas certamente é realista.

Outra coisa notável é que o anime se passa no nosso mundo real. Isso quer dizer que Koko e sua gangue vendem armas na fronteira russa (onde o bicho tá pegando), e são atacados por piratas na costa da Somália. Não é como se faltassem conflitos no nosso mundo sem precisar apelar para os clichês (tipo Iraque e Afeganistão).

Esse nível de detalhe realmente cria um cenário bastante interessante.

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CONTRAS: Todo o resto

Eu entendi que a premissa do anime era ser “O Senhor das Armas versão anime”, o que eu não esperava era que fosse LITERALMENTE uma versão anime de Senhor da Armas.

Isso quer dizer que você pode esperar todos os clichês, vicios narrativos e gags visuais dos animes. Isso quer dizer que, apesar de tudo, Koko se comporta como uma colegial que grita, rodopia e faz todos paranaues de guriazinha de anime.

A trama da série gira em torno da gangue de Koko adotando uma criança prodígio (anime, oi), que é o “cara novo” na organização e… basicamente é isso.

Não tem muito mais trama além disso, na verdade. Volta e meia alguém tenta assassinar Koko, às vezes eles vendem armas em uma bocada braba, nada muito além disso. Não existe uma trama realmente e, apesar da qualidade das cenas de ação, elas não têm muito propósito na verdade.

E para falar a verdade, as ameaças que o time dela enfrenta não parecem tão ameaçadoras assim, e eles meio que se safam de tudo com relativa tranquilidade. Nada parece realmente estar em jogo, e os personagens mesmo parecem não se esforçar muito para lidar com nada, o que é um grande broxismo do anime.

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No quarto final do anime é apresentado alguma coisa sobre o Jormungand, um míssil intercontinental puta foda que dá nome a série, mas foi meio que tarde demais (e o arco é meio fraquinho também).

Veja, não que tenha algum problema não haver um big plot e serem apenas episódios isolados – desde que os episódios isolados funcionem como entretenimento por conta própria, o que não é o caso aqui.

Como qualquer filme de ação dos anos 80/90, o anime foi feito para ser carregado nas costas pelo carisma do protagonista. Rambo seria uma bosta sem o Stallone, Comando Para Matar precisa de Schwarzenegger, Soldado Universal precisa do Van Damme e Jormungand funcionaria com alguém igualmente cool.

Tipo a Satsuki Kiruyn de Kill la Kill, ou o L de Death Note, alguém com esse nível de carisma teria sido absolutamente perfeito para essa função. No lugar disso, Koko parece apenas mais um personagem de anime de cabelo branco pagando de badass, mas ela realmente não tem muita coisa de especial. Não para carregar o anime nas costas desse jeito, esse tanto é certo.

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Fora isso, o elenco do anime é apenas… sem inspiração. Além da wannabe badass Koko, temos o molequinho calado e distante que eles adotam (japoneses adoram esse tipinho), e o resto da equipe sequer merece muito destaque.

O humor apenas soa deslocado (como se fossem cenas de um anime que colaram em outro), e a quantidade massiva de fan service não é bem no espírito da coisa.

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Isso torna Jormungand mais desapontador do que ruim, na verdade, porque o anime tinha base para ser algo épico e lendário. A ideia é fantástica, mas a execução é apenas… ok.

Nada que Black Lagoon não tenha feito muito melhor.