[ANIMES] JOJO’S BIZARRE ADVENTURE (ou macho que é macho, é macho até embaixo de outro macho)

jojos-bizarre-adventure2Vamos jogar um pequeno jogo? Eu te digo uma palavra e você me responde a primeira coisa que te vem a mente, ok?

Vamos lá… vampiro! Preto (e às vezes cinza muito, muito escuro)! Protagonista de anime!

Se você começou a assistir anime da metade dos anos 90 para cá, grandes são as chances que essa última te evoque a imagem de um sujeito magrelo, com voz de menina (literalmente, é comum os heróis de anime serem dublados por mulheres) e compleição muscular de um frango em segunda-feira de gordo que começou a dieta. Parabains Shinji!

Só que nos anos 80 não era assim que a banda tocava na Terra do Sol Nascente não, mermão! Houve um tempo em que os animes e mangás eram inspirados pelo clássico imortal Hokuto no Ken (o Punho da Estrela do Norte, porque aqui estrelas tem punhos pra dar porrada, porra!), que foi escrito por um cara tão macho que adotou o nome artístico de Buronson em homenagem a Charles Bronson. Hokuto no Ken é a mistura de Mad Max com os filmes do Bruce Lee (isso nem é zoeira minha, o autor mesmo cita essa inspiração), que nos brindou com cenas como essa:

Berserk, MD Geist, Genocyber, Bastard, Slam Dunk são alguns exemplos de mangás dessa época (ou fortemente inspirados nesse período) em que uma obra japonesa de verdade só seria coisa de macho mesmo se o protagonista tivesse pelo menos dois metros de altura por quase três de largura e pesasse o mesmo que toda população do Sudão junta só em músculo.

Agora, existem duas formas de ver uma obra assim. Você pode olhar e pensar “uauuuuu, isso é muito machãaaaaaao, que foda tanta machezaaaaaa, macho é lindo, macho é tudo de bom, esses machos MARAVILHOSOS que saem tabelando, tocando“. Essa é uma forma de ver a coisa, certamente.

A outra é ver esses homens enormes e suados se esfregando uns nos outros com músculos que sequer são anatomicamente possíveis, coçar o queixo e pensar: “Santa puta que pariu do Whey Protein, isso é tão macho que possivelmente é a coisa mais gay que eu já vi em toda a minha vida. Fabuloso!”

Eu e Hirohiko Araki pertencemos ao segundo time.

tumblr_n3vvwfa1gc1sdhuzuo1_500VAMPIROS SÃO A DOENÇA, O RAMON É A CURA

Explicar o que é JoJo’s Bizarre Adventure não é uma tarefa simples, mas vamos tentar. Imagine que os produtores da Televisa (sim, a TV mexicana que produz as novelas dramalhonas) um dia tiveram um happy hour com a galera do diretor italiano George Pan Cosmatos (apenas o homem, o mito, a lenda por trás de Rambo II, Stallone Cobra e Tombstone). Após uma noite de muita tequila e Sex on the Beach (a bebida, não o ato), um filho pródigo de iguais proporções entre macheza e drama nasceu. Tipo na hora mesmo, porque esperar nove meses não é macho nem dramático, caralho!

Essa bela visualização mental, que sei que vocês carregarão por toda vida, é a melhor forma de explicar as bizarras aventuras da família Joestar. Não, sério, imagine que a cada cena – quase sem exceção – a resposta proposta pelo anime é QUAL A COISA MAIS DRAMALHONA E MÁSCULA AO MESMO TEMPO QUE PODE ACONTECER AGORA?

Se isso não parece fazer sentido nenhum para você, então parabéns. Você está pronto para ser agraciado com frases como “VOU TE ENCHER DE RAMON!”. A vida é bela.

Ah sim, Ramon é a “energia espiritual” do anime (tipo o chacra ou o ki), mas apenas porque Jojo é Jojo ela tem nome de um limpador de piscinas mexicano. Acho que poucas coisas explicam Jojo melhor do que isso.

ENTÃO, ESSA COISA NÃO PARECE MUITO SÉRIA…

E não é. Nem um pouco. A bizarra aventura da família Joestar é um anime de luta com roteiro de novela mexicana onde os personagens têm, no mínimo, 1.95m de altura. Sério, imagine Maria do Bairro só que com a Thalia tendo 50 cm de biceps e resolvendo as coisas com saídas tão bregas que mesmo os mais sem vergonhas dos animes de luta ficariam corados (sim, Kurumada, estou olhando pra você). Este é Jojo, e sua tosquice não é nada senão o combustível que o torna um dos animes mais gostosos de ver que eu já vi na minha vida.

Eu não estou brincando, estou falando de um anime que tem frases como “Aprenda sobre a rotação da Terra antes de pular em um poço!” levadas muito a sério. Te juro. Não é maravilhoso?

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Rugby, um esporte de macho!

A primeira parte do anime tem dois arcos: Fantasma de Sangue e Tendencia de Batalha, um mais formidável que o outro.

Nossa história começa na Inglaterra do século XIX, quando a família Joestar encontra uma misteriosa máscara de pedra. Após muita tragédia brega pra caralho, o Lorde Joestar acaba adotando um moleque chamado Dio, que é criado junto com seu filho Jonathan. Dio e Jonathan Joestar (apelidado de JoJo, daí o nome da série) crescem como irmãos, mas mal sabem eles que Dio é mais ruim do que água de salsicha. Sério, pense em alguém mau, mas mau do tipo esfregar os bigodes enquanto a mocinha está amarrada no trilho do trem. Dio é pior que isso.

Assim, Jojo começa como a coisa mais perto do que teríamos se Jane Austen tivesse existido nos anos 80. Adicione todo o drama barato que conseguir imaginar, vampiros, tragédia, zumbis, mais tragédia, e temos um clássico da animação instantâneo. A dramática batalha do nobre cavalheiro Jonathan Joestar lutando contra seu maligno irmão invejoso de criação, oh não! Poesia pura, meu rapaz.

O segundo arco do anime, Tendência de Batalha, se passa quarenta anos depois. Nosso protagonista agora é Joseph Joestar (também apelidado de Jojo), neto de Jonathan. Não temos a fabulosa e malignérrima presença do uber vilão Dio, mas em seu lugar os vilões agora são os terríveis HOMENS DO PILAR, que criaram os vampiros. E como o anime se passa nos anos 40, temos também nazistas, alguns gangsteres, ciborgues e o destino da Terra em jogo. Você pensa que nada pode ser mais fabuloso do que a inenarrável malignidade de Dio, e que um vazio em seu coração jamais será preenchido, mas este arco nos premia com esse quilate de vilões:

illcontributetheaverageappearanceof_65aa5763aa3d34b00c96fa0ad96a51b3Uau. Apenas uau.

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Você foi visitado pelo ciborgue nazista homoerótico. De nada.

UM ANIME QUE FAZ JUS AO SEU NOME

Tradicionalmente, uma obra tem como título o seu elemento mais importante. Seja o nome do protagonista (i.e. Naruto), seja o evento mais importante da história (i.e. Jogos Vorazes). Exceto Yu Yu Hakusho (tá pra nascer um ser humano que saiba traduzir saporra…) Mas enfim, o fato é que poucas vezes na minha vida eu assisti um anime que fizesse jus ao seu titulo como Jojo faz. Jojo é de uma aventura e bizarrice ímpares, e ao longo dos 26 episódios do anime você apenas se pergunta “uau, não pode ficar mais bizarro do que isso” e o anime vai lá e blam, Jojo está treinando para ficar besuntado em óleo para derrotar o ACDC. Sério.

Se saber quando não se levar a sério é uma arte, Hirohiko Araki é o Leonardo da Vinci dessa arte. O que nos brinda com personagens extremamente carismáticos em batalhas absurdas repletas de fabulosidade e homens altos, fortes e musculosos de 1.95cm. O que mais se poderia pedir de um anime?

Talvez apenas uma trilha sonora muito inspirada. E taqueopareo, como nós temos. Como já deu para perceber, o autor do mangá é muito fã de rock e todos os personagens têm seu nome baseado em alguma coisa do gênero. Tanto que os homens do pilar são Santanna, Cars, Wham e ACDC, além do uber vilão divo DIO. Não por acaso o anime tem uma música de encerramento tão boa que imediatamente se tornou um meme na internet: Roundabout, do YES.

A bizarra aventura de Jojo é um dos mangás mais influentes dos anos 80 (sério, olha o tamanho da lista de referências que esse anime gerou) que só veio a receber uma adaptação completa em anime quase trinta anos depois, mas parece que a convergência da poeira estelar estava certa no fim das contas. Poucas coisas resistem a um teste do tempo dessa forma (ao menos não sem se escorar com os dois pés em doses cavalares de nostalgia), mas algumas obras primas que influenciaram uma geração inteira são simplesmente atemporais.

Afinal quando você é bizarro e fabuloso o suficiente, é o tempo que se curva a você e não o contrário.

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