[ANIMES] GURREN LAGAN (resenha)

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“Não acredite em si mesmo. Acredite em mim, que eu acredito em você.”

Quando eu escrevi sobre Kill la Kill (fácil o melhor anime de 2014), algumas pessoas me disseram que o anime lembrava um pouco Gurren Lagan. Esse era um bom motivo para ver a animação. Outro motivo é ele estar citado na lista de 30 melhores animes para adultos, pontos para ele. Mas sabem o que REALMENTE me fez assistir esse anime? Essa imagem:

gurren lagann em cima de uma galaxiaSim, eles estão lutando em cima de uma GALÁXIA. Mais pra frente, na luta, eles pegam outras galáxias e arremessam como se fossem shurikens.

Uou. Quer dizer, uou mesmo.

Eu achava que a coisa do cara ter uma frota de navios APAIXONADOS por ele (clique aqui para ler a respeito) era o mais absurdo que o Japão podia chegar, mas obviamente eu me junto ao João das Neves e admito que não sei de nada. Isso foi a coisa mais idiota que eu já vi em um anime na minha vida (provavelmente uma das mais idiotas at all), ou seja, eu PRECISAVA ver essa porra.

Da esquerda para a direita: Kamina, Simon e ruiva irrelevante cujos peitos balançam em cada minima cena que ela aparece

Da esquerda para a direita: Kamina, Simon e ruiva irrelevante cujos peitos balançam em cada minima cena que ela aparece

A SUA É A BROCA QUE PERFURARÁ OS CÉUS

Tengen Toppa Gurren Lagann (algo como “Gurren Lagann que Atravessa o Céu”) é um anime produzido pelo estúdio Gainax, o mesmo por detrás de Neon Genesis Evangelion e FLCL. Para quem não conhece, a Gainax é meio que o Brasil dos estúdios de anime: tem uma criatividade doentia e monstruosa, comparável apenas pelo seu descaso absoluto com o público desde que o dinheiro role (entre escândalos financeiros e animes que terminam de qualquer jeito, porque os idiotas já compraram essa porra mesmo, o histórico da Gainax é grande).

Neste caso, a história gira em torno de Simon e Kamina, dois amigos que se consideram como irmãos, que vivem em uma vilazinha subterrânea – como todas as vilas do mundo, já que a superfície é apenas um mito no qual apenas os tolos acreditam. Pois Kamina é um desdes tolos (e um demônio másculo, como ele se descreve), que realiza frustradas tentativas de chegar ao mítico céu aberto.

Seu sonho se torna realidade quando um mecha com corpo de cara de touro (sim, tá certo isso) cai vilarejo adentro lutando com uma ruiva seminua – cuja única função na série é de ser a ruiva seminua mesmo. Assim, Kamina, Simon e a ruiva seminua partem em uma jornada para explorar os ermos (porque só tem deserto nessa porra), e descobrir que o bicho tá pegando lá em cima – literalmente, a humanidade é oprimida pelos homens-fera.

Mas como que isso vai acabar em mechas arremessando galáxias uns nos outros? Pois é, apenas o Japão sendo o Japão…

As cosplayers e quem coleciona dolls agradecem a personagem, mas isso é tudo

As cosplayers e quem coleciona dolls agradecem a personagem, mas isso é tudo

A melhor forma de descrever o começo de TTGL é como se fosse um Mad Max versão anime com mechas. Nos dias de hoje, só os japoneses mesmo pra ter culhões de colocar um herói tão macho e viril, que ele foi proibido de fazer flexões para a Terra não engravidar. Não tenha falsas ilusões: o anime parece um filme dos anos 80, e todo discurso do Kamina gira em torno de “o que um homem de verdade deve fazer”, e as mulheres são apenas mocinhas a serem salvas ou fan service descarado.

Ou seja, é putamente legal.

Ok, eu imagino realmente que se um filme de ação hoje em dia usar a expressão “um homem de verdade”, vai tomar tanto processo que até os bisnetos do dono do estúdio vão ter que estudar direito, mas na moral, fodam-se vocês. Um poço de macheza e confiança (é dele a frase que abre esse post), Kamina deixa um rastro de inimigos derrotados e calcinhas molhadas por onde passa.

Porque era assim que fazíamos nos anos 80, e é assim que gostamos que as coisas sejam feitas, LIDE COM ISSO!

Afora Kamina sendo foda e seduzindo novinhas, o anime é bastante o que você pode esperar de um anime de mechas: facção X está perdendo o conflito, surge o herói com um mecha especial que vira a balança da guerra em seu favor, até que o inimigo começa a mandar os seus soldados especiais, nada realmente novo aqui, mas sempre com o visual non sense e a lógica absurda que lembra um FLCL da vida. Espere, na verdade, todos os clichês possíveis e imagináveis de anime: golpes com nome, os quatro generais inimigos, mechas movidos a base da “força de vontade” (a.k.a “tirar poder da amizade do olho do cu”), episódio na praia, discursos sobre encontrar a si mesmo, inimigo que passa para o lado do herói, e toda essa merda pela qual os animes são conhecidos.

Então, lá pelo primeiro terço da série, o foco do anime passa a ser Simon, e as coisas desaceleram violentamente, porque sem o carisma másculo do herói, TTGL é apenas uma série de mechas com umas coisas esquisitas, e isso não é tãaaaaao legal assim. Sem o foco na sua grande estrela, o anime é apenas ok.

Pra ter ideia do nível de leseira da coisa, a música mais popular do anime é “Libera-Me from Hell”, uma mistura de rap americano com ópera italiana cantada em latim. Porque Gurren Lagan é dessas.

Yo dawg, ouvi dizer que voce gostava de brocas!

Yo dawg, ouvi dizer que você gostava de brocas!

7 ANOS DEPOIS

A segunda fase do anime começa no episódio 17, e trata sobre aliens que querem destruir a Terra fazendo com que a Lua caia sobre ela (que indiretamente “estava por trás” dos homens-fera que oprimiam a humanidade, embora seja mais complicado que isso). Mas apesar de serem os mesmos personagens, dificilmente parece que estamos assistindo o mesmo anime. De um Mad Max com mechas, passamos a um jogo de intrigas e politicagem em uma cidade futurista.

Todos os personagens que eram jovens (como o próprio Simon) agora são adultos, e mesmo as gurias que estavam ali só pra fazer fan service e esfregar os peitos em alguém são senhoras sérias. Então tá, né?

O segundo arco gira em torno dos anti-espirais que declaram guerra aos espirais (ou seja, criaturas com DNA em formato espiral), enquanto os humanos são humanos uns com os outros e fazem humanices. Ah, e os aliens sequestraram a noiva do Simon apenas de zoeira. Então, depois de resolver suas tretas uns com os outros (essa parte é assistível também), Simon e seus amigos vão para o espaço tretear com os anti-espirais.

Eu não vou sequer questionar como uma civilização que era analfabeta a menos de sete anos atrás já possui tecnologia espacial, esse é o MENOR dos problemas do anime. E as tretas vão rolando, o Gurren Lagan (o mecha do herói da história) vai evoluindo ao ponto em que começamos: negos arremessando galaxias uns nos outros.

O bastardo mais perigoso do universo, segundo os aiens.

O bastardo mais perigoso do universo, segundo os aliens.

O problema, o grande problema aqui, é que tudo gira em torno do “potencial espiral” que, ciência barata à parte, é o poder de animezice de tirar amizade do olho do cu. Entenda, isso é comum em animes – as vezes comum demais, né Cavaleiros do Zodíaco? – mas o problema é que os animes normalmente usam isso como Deus Ex Machina, e não como ferramenta básica.

Entenda, estou falando de um anime em que o protagonista passa episódios inteiros “emanando espirito de luta” enquanto muita pseudo-ciência sem sentido vai rolando e isso é tudo. Sério, o terço final do anime é isso, ficar emanando “poder de amizade” ou uma merda que o valha. Pode até funcionar em momentos dramáticos, mas quando o pão com manteiga do anime é dar discursos sobre amizade com mais frequência do que os Digimon evoluem em um episódio, não tem ateu que tenha saco pra isso.

Sério, no oitavo discurso seguido sobre acreditar em si mesmo, eu já tava querendo que essa porra explodisse, que enfiasse todas aquelas brocas no cu e arrodeasse, e que a porra da noiva do Simon (que é chata pra caralho) tivesse que assistir uma maratona de The Walking Dead. E morre um monte (um monte mesmo) de gente que eu mal sabia o nome – supostamente para ser dramatico – mais umas cenas de ação non sense no espaço, mais discursos sobre acreditar em si mesmo, mais mimimi e foda-se essa porra toda.

Quando chega na cena do arremesso de galaxias, você já ligou o foda-se há tanto tempo que nem importa mais.

SuperTengenToppaGurrenLagannNão que o anime não tenha ótimas frases, ótimas cenas e até mesmo ótimos personagens (o tal inimigo que vira aliado é excelente, tanto em visual quanto em construção ou princípios, mas não faz nada de relevante na série). No começo, principalmente, tem episódios de ação dos anos 80 quando parece que vai ser sobre Kamina começar um exército do zero, mas na maior parte do tempo é mais uma sensação de “que porra eu to assistindo?”

E não um “que porra é essa?” legal do tipo “uau, preciso ver no que isso vai dar!” como Kill la Kill, e sim mais um “é… tá, né?”. O que é uma pena, porque o anime tem idéia ótimas (ou inspiradas a muitas dorgas), e acaba se revelando apenas desinteressante. Mesmo com todas as coisas que, no papel, seriam épicas e fodas pra caralho, são apenas… meh.

 É quase mais desapontador do que ruim. Quase.

nota-2

4 thoughts on “[ANIMES] GURREN LAGAN (resenha)

  1. Pingback: [CINEMA] BOB ESPONJA: Um herói fora d’água (resenha) | NERD GEEK FEELINGS

  2. Não sei o que o pessoal vê nesse anime, e o pessoal defende com unhas e dentes, se tivessem seguido a linha do começo, que é parecido com o kill la kill, juntamente com o absurdo que a história já é, teria sido bem legal.

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