[ANIME] NO GAME NO LIFE (assista online)

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A história da analise do anime de hoje não começa em nenhum lugar muito distante, ao contrário do habitual. Não, nossa história de hoje começa aqui mesmo na nossa querida e amada Pindorama pois No Game No Life (NGLG daqui pra frente) é um anime baseado em uma light novel (mais ou menos o equivalente japones a nossa literatura infanto-juvenil, só que mais ilustrada) escrita e desenhada por um brasileiro.

Thiago Lucas Furukawa (que escreve sobre o pseudonimo de Yuu Kamiya) é mineiro de Uberaba e foi ainda criança para o terra do Edmundo Honda com os pais (claro que foi com os pais, né retardado, queria que fosse pelo tráfico internacional de crianças da novela das 8? Alias a novela das 8 ainda é sobre isso?). Mas será que essa mistura feijão com shoyu dá ziriguidum? Veremos.

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A expressão NEET significa ” “Not currently engaged in Employment, Education or Training”, algo como “Atualmente sem Emprego, Educação (não é estudante) e Treinamento (estágio)”. É um fenomeno bastante comum no mundo todo e em especial no Japão jovens que não fazem ABSOLUTAMENTE PORRA NENHUMA da vida e passam o dia trancados no quarto jogando qualquer porcaria .

Enquanto uma leitura válida seria analisar os problemas emocionais e psicológicos profundos deste tipo de pessoa – no Japão isso é considerado problema de saúde pública e não por pouca coisa, já que se estima que mais de um milhão de jovens se encontra nesta situação – outra alternativa igualmente válida é concluir que são um bando de vagabundos criados a leite com pera que não querem porcaria nenhuma da vida senão serem sustentados indefinidamente pelos pais. Para fins desta review, adotaremos o segundo ponto de vista.

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A história gira em torno do garoto Sora e da garota Shiro, dois irmãos que possuem um relacionamento que orgulharia os Lannister. Os dois NEETs são genios brilhantes (já entraremos na questão Mary Sue effect em breve) tão bons, mas tão bons que se tornaram lendas urbanas nos jogos online. Os dois hikikomoris são gamers conhecidos por toda a internet pelos seus feitos brilhantes, enquanto encaram a vida real apenas como um jogo chato e mal bolado (verdade seja dita, a estrutura narrativa é inexistente, o sistema de quests é caótico e as cutscenes usualmente deixam a desejar).

Um dia eles são “convidados” por um garoto chamado de Tet que é o Deus para uma espécie de mundo alternativo onde não existe nenhum tipo de violencia e tudo é decidido na base dos jogos (Tetris é o deus dos jogos, sacaram?): guerra, conflitos e até as leis do universo são decididas assim. Então você pode “apostar” no jogo que se perder vai ser um cachorro e essa será a nova realidade. Existem dez regras fundamentais neste universo

1. Todo tipo de Assassinato, Guerra e roubo são proibidos.
2. Todos os tipos de conflitos são resolvidos por jogos.
3. Os jogadores concordam que ambas as partes dão valor igual para o jogo.
4. Desde que não vá contra a regra 3, tudo pode ser apostado e qualquer jogo pode ser jogado.
5. Quem for desafiado pode escolher as regras do jogo.
6. Quaisquer aposta feita em acordo devem ser mantidas.
7. Conflitos entre grupos serão conduzidos por um representante designado de autoridade absoluta.
8. Ser pego roubando durante um jogo, significa derrota instantânea.
9. Em nome de Deus nenhuma das regras devem ser alteradas.
10. Vamos todos jogar e nos divertir juntos!

Entenda que quando falo de jogos quer dizer qualquer jogo mesmo: cartas, xadrez, jogo da vida, resta um, tirar no palitinho, pedra-papel-tesoura, videogame, adivinhe que numero estou pensando…

O CENÁRIO

O mundo de NGNL é uma das coisas mais interessantes da série e vale sua atenção enquanto cenário de fantasia. Disboard (“This board”) é o mundo que segue as regras acima e nele existem 16 raças inteligentes (humanos, elfos, anjos, elementais, fantasmas, lobiscoisas e por aí vai) que são classificadas em um ranking global. Usualmente as raças mais proeficientes com magia são as mais poderosas, já que em um mundo no qual tudo é decidido por jogos ter a capacidade de alterar as leis do mundo (ergo, magia) faz toda diferença em um jogo.

E por isso mesmo a humanidade é o coco do cavalo do bandido já que humanos não conseguem usar ou sequer ver a magia. Sora e sua irmã então assumem a missão então de vencer o jogo (voltar pra casa a troco de…? Pois é, não tem pq) e colocar a humanidade no lugar número 1 do ranking.

A parte interessante vem quando essas regras acima são literais e abertas a distorções por um bom advogado de regras. A extrapolação destes conceitos simples (o exemplo mais básico: não é proibido trapacear, você não pode SER PEGO trapaceando) é uma das coisas mais bem boladas do anime. Tipo quando as regras do Death Note são extrapoladas, saca?

Outra coisa muito legal é que o Sora é um humano do nosso mundo em um cenário de fantasia. E nós, humanos modernos, sabemos coisas muito uteis que os personagens de fantasia não sabem. O Eomer pode ter sido um grande rei, mas ele não faz idéia do que seja um sistema financeiro ou das vantagens da agricultura de rodizio, por exemplo. Ou mesmo mesmo de um sistema de esgoto. E isso é mostrado no anime, o personagem tem o conhecimento e experiencia do nosso mundo e sabe que atacar a Russia no inverno sempre é um mal negócio, por exemplo.

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PERSONAGENS

Essa é de longe a pior parte do anime todo. Ok, certo, parabens por o protagonista não ser um colegial de cabelo preto que fica vermelho quando ve peitos, uhuu, mas isso não torna as coisas nada mais louvaveis. Imagine que você batesse em um liquidificador todos os clichês de anime. Agora pegue o que saiu e eleve o Mary Sue effect a máxima potencia.

O resultado que temos são dois cliches de animes perfeitos demais. Eles são inteligentes demais, habilidosos demais, fodas demais, tudo tão demais que ultrapassa todos os limites da chatice concebidas pelo homem. Em uma das primeiras cenas os irmãos Kuuhaku estão jogando um jogo online controlando quatro personagens ao mesmo tempo (ou seja, dois cada um) contra mais de mil oponentes e usando apenas os pés para fazer isso.

Quer dizer, sério? Sério MESMO?

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Se você acha idiota crianças prodigio (sério, porque todo moleque de 10 anos tem que ser mais inteligente que Einstein e Hawkin juntos) com doses entediantes de fodabilidade, bem vindos a minha dor. E dizer que esses são os personagens mais bem desenvolvidos do anime já é dizer muita coisa, porque daí pra baixo a queda é livre.

Fan service, moe, fan service, mais moe, o dobro de fan service, recheia com cliches e era isso. Então é isso que os jovens entendem como anime hoje em dia?

Sério, eles não tem sequer vergonha de fazer uma parada tão porca e descarada assim? Eles não…

HUE.

… espera… o que?

HUE HUE.

Foi então lá por volta do segundo ou terceiro episódio, altura a qual eu já tinha revirado tanto meus olhos em “ah cara, sério…” que daria para fazer uma slot machine, que eu comecei a ouvir um som. Estava eu bem de boa pensando “não é possível que eles tiveram coragem de fazer algo tão porco e descarado assim” quando o som foi ficando mais alto.

HUE HUE HUE.

Sim, eu já tinha ouvido aquele som antes em algum lugar, mas apenas não lembrava da onde… mas conforme foi ficando mais alto eu lembrei. Aquele som era tão famíliar, aquele som… sim, era aquele som sim…

HUE HUE HUE BR!!!!

HUE HUE BR BRDEUS! Eu estava sendo trollado! Todos estavamos sendo trollados o tempo todo!
Maldito brasileiro trollador da porra!

A partir do momento em que você aceita que está sendo desgraçadamente trollado, todo o anime passa a fazer muito mais sentido e isso combina perfeitamente com outra característica do anime: ele é besta.

Não bobo, aleatório ou caótico, nada disso. Ele é besta. Tipo quando uma garota diz com um risinho: “Como você é besta” (farei uma pausa para refletir minha profunda carência e o quanto eu gostaria que alguma dissesse isso pra mim com aquele sorriso, volto daqui a pouco. Pronto, voltei). O anime é besta assim. Besta tipo os filmes Corra que a Polícia vem aí ou Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu.

É tão besta, mas tão idiota, que chega a ser engraçado. E honestamente eu não lembro a última vez – se é que houve alguma vez – em que eu achei um anime verdadeiramente engraçado. Sua patetice é tão genuina que eu ri de verdade. Taí algo que não acontece todo dia.

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Deixa eu dar um exemplo disso: tem a guria, a tal da Steph. Ela não é muito brilhante realmente. Na verdade ela é meio burrinha. Bem, ela é bem burrinha. E enquanto um personagem de anime com o QI de uma porta não é novidade, quando os proprios personagens do anime começam a fazer piada disso acaba virando uma piada recorrente do anime.

É quase tipo um “Cala boca, Magda!”. E os animes não costumam usar esse tipo de humor mais próximo da gente, são só aqueles clichezinhos de anime que na boa nem os otakus acham graça de verdade. Isso é realmente louvavel.

Outra coisa muito boa no anime são as referencias, que são mais ou menos escrachadas mas estão lá. Tipo o personagem se chama Sora e em determinado momento ele usa um uniforme que você tem a vaga sensação de ser famliar – mas não é nada imediato. Depois de algum tempo coçando a cabeça você se liga que é uma referencia ao Sora do Kingdom Hearts!

ngnl7Parece famíliar?

Ou então ele tem o cabelo vermelho meio arrepiado e usa um blusão azul… que por acaso lembra muito demais mesmo o Gary Carvalho de Pokémon. Em determinado momento para explicar uma coisa ele grita ESPERE AÍ! e entra a música de Turnabout de Phoenix Wright. São pequenas coisas assim que são realmente  divertidas de se assistir.

Sério, esse anime com sua linguagem menos formal e referencias e sua total falta de se levar a sério – com o completo esculachamento dos personagens – conseguiu me arrancar umas boas risadas.

ngnl4OS JOGOS

E enquanto a série consegue ter tiradas genuinamente engraçadas, outro ponto a ser destacado são os jogos em si e aqui ela impressiona de forma positiva de uma forma séria dessa vez. O anime lembra muito animes de competição como Hikaru no Go ou Yu-gi-oh e faz isso muito bem.

Porque talvez você não se lembre, mas Yu-gi-oh é um anime muito bom. Perae e me escuta. Esqueça os personagens, a história, e pelo amor de deus os penteados deles, e se concentre no que realmente importa: o cardgame.

Dentro do conjunto de regras proposto as batalhas de Yu-Gi-Oh são realmente bem inteligentes e cativantes. NGNL pega bem esse espirito e as cenas dos jogos em si (que podem ser qualquer coisa desde Resta Um até Xadrez Tridimensional) são muito bem escritos e muito inteligentes, estou falando de um padrão tipo Death Note de mind games bem bolados.

O tipo de coisa que você assiste e diz “Uau… cara, isso foi… uau”.

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No Game No Life não concorre ao prêmio de melhor anime do ano e muito menos ao de todos os tempos, mas está ok porque ele não tenta ser nada disso mesmo. Entre um (bem bolado) jogo e outro não tem realmente muita coisa para ver senão fan service descarado e gags visuais engraçadas, mas cá entre nós… precisa mesmo de mais do que isso?

É um anime visualmente gostoso de se ver, inteligente acima da média quando quer ser (o que não é sempre), engraçado e com um cenário interessante. Acho que tá de bom tamanho, ainda mais pra uma série de apenas 12 episódios, não?