[ANIMAÇÃO] Pom Poko, uma batalha pela vida

Uma batalha por território e pela vida de uma espécie inteira. A história de Pom Poko se passa em uma região montanhosa próxima ao centro urbano de Tokyo. Com a modernidade e o crescimento populacional, torna-se inevitável a construção de novos conjuntos habitacionais, que caminham em direção às florestas, exigindo cada vez mais o desmatamento.

Não é raro ver isso hoje em dia. Nossas cidades cobrem de cinza todo o território que outrora fora verde. Não se pode impedir o progresso, mas também há meios mais ecológicos de lidar com ele. Pom Poko nos mostra, de uma maneira bem divertida, o quanto a natureza sentiu pela nossa evolução e modernização.

Dois distintos grupos de Guaxinins Tanukis lutam entre si por seus pequenos territórios na imensa floresta. Essa batalha é interrompida pela sábia Oroku, persuadindo-os com o avanço dos humanos em suas terras. Aquela grande floresta já havia sido desmatada pela metade.

Mas como poderiam pequenos Tanukis se rebelarem e afugentarem os homens com todas as suas máquinas e tecnologias? Era hora de aprender sobre o grande poder existente neles. Oroko e os velhos anciãos se reúnem para treiná-los na antiga arte da transformação, e aprimorar seus conhecimentos sobre os humanos, a fim de combatê-los eficazmente.

Gonta se destaca nos treinamentos, mas faz parte dos jovens revoltados, e sempre quer lutar. Ele e seu pequeno grupo investem em ataques às construções próximas. Shoukichi, por outro lado, é mais ponderado, e propõe que apenas assustem os homens se fazendo passar por fantasmas. Obviamente nem os ataques nem as assombrações impedem o avanço da construção.

Até mesmo colinas vizinhas são afetadas. Outros grupos Tanuki partem em busca da origem do problema e, ao se depararem com a gravidade da situação, se unem à causa.

“Estava procurando pela origem do aterro. Eles estão jogando lixo na nossa montanha. […] Quando cheguei aqui não pude acreditar. Achei que o lixo vinha da grande cidade, mas isso aqui não é a cidade! Eles cortam uma montanha e jogam em outra. Para que isso tudo? Eu não consigo entender.”

Como sempre, as imagens criadas pelo Estúdio Ghibli são deslumbrantes, e o trabalho bem feito ao se lidar com as transformações dos Tanukis é incrível. Afinal, cada um deles tem uma característica única. Desde a floresta, campos e a cidade, cada lugar pelo qual a historia se passa, a riqueza de elementos de composição do cenário é imensa, sem contar a trilha sonora, focada em elementos do campo e músicas tradicionais folclóricas que envolvem os Tanukis.

Mas, por trás de toda essa beleza e descontração, Isao Takahata faz uma forte crítica contra a destruição das áreas verdes para a construção de shoppings e centros residenciais. A noção de campo e cidade é explorada em um sentido de tradição contra modernidade, pois até mesmo templos não são respeitados. Em nome do progresso, qualquer ato é aceitável, até mesmo destruir o lar dos espíritos sagrados, e realocá-lo para qualquer outro lugar que não mais atrapalhe. No final, a destruição foi inevitável, e foram os Tanukis que tiveram que se adaptar às novas condições.

Takahata quis mostrar também que nada se resolve com violência. Apenas com sabedoria e compreensão é que os Tanukis são capazes de lidar com o problema, pois a cada ataque que faziam os humanos revidavam de forma violenta e faziam vitimas.

Outra situação que conhecemos bem é o interesse no sobrenatural que as imprensas têm, tirando vantagem do que acontecia, faziam e vendiam notícias e rumores (que é outra crítica bem explicita).

Transcendendo o fato de que Pom Poko é uma divertida animação sobre guaxinins falantes, podemos perceber que Takahata escreveu uma história riquíssima sobre amizade, colaboração e principalmente respeito à natureza. Com seu caráter crítico, suas metáforas e moral tornam-se fonte abundante de aprendizado.