[ANIMAÇÃO] Ocean Waves, um olhar simples sobre amadurecimento (crítica)

Sim, eu sei, “Ocean Waves” é mais um slice of life que aborda “o amadurecimento”, a passagem da vida de um adolescente para um jovem adulto. Contudo, se você pensa que será mais uma animação de colegiais, todos apaixonados e felizes, se enganou. Esta é um tanto peculiar, e aborda os problemas da vida que nos põe em conflito conosco.

A trama apresenta, pelos olhos de um jovem adulto, o processo de amadurecimento, não só seu, mas também de seus amigos. Quando, a caminho de uma reunião da antiga classe, pensa ter visto uma de suas colegas, passa a recordar toda a sua trajetória no colégio.

Taku Morisaki, Yutaka Matsuo e Rikaku Muto, um triângulo amoroso implícito. Taku e Yutaka são amigos de classes diferentes, que se aproximaram a partir de circunstâncias curiosas: Os dois alunos pedem que a escola explique os motivos pelo qual cancelaram a viagem de formatura daquele ano, e neste momento os dois se conhecem. Enquanto Taku é um menino trabalhador e com dificuldades nos estudos, Yutaka é um aluno exemplar e inteligente, e uma amizade floresce entre os dois.

A história da jornada rumo ao crescimento se inicia quando ambos conhecem uma nova estudante, transferida de Tóquio por motivo do divórcio dos pais. Rikaku era a bela garota. Sua aparência, modos e sua excelência nos estudos se destacavam onde quer que fosse. E o fato de ter vindo de Tóquio para morar em uma cidade do interior, como Kouchi (onde se passa a história), tornou-se motivo de burburinho por toda a cidade, principalmente por sua preferencia em se manter afastada dos demais.

Muito da sua personalidade introvertida se deve aos seus próprios problemas, como não querer ter deixado Tóquio, nem ao pai. Taku se vê absorvido por tais problemas, e acaba por ser atraído pelo seu estranho charme, colocando-o contra o seu amigo, que está apaixonado pela garota.

Até aí, muito comum a qualquer outra animação (incluindo Only Yesterday, que trata a mesma temática de “amadurecimento” por outros olhos), mas a questão é o que ocorre após o envolvimento de Taku na vida problemática de Rikaku.

Ela permite que seus problemas se transformem em monstros, se exila das atividades coletivas e acaba por parecer uma garota metida de cidade grande. Nesse meio, revira a paz de Taku e de Yutaka, especialmente quando rejeita rudemente Matsuo, colocando em dúvida as ações de Morisaki.

Sem saber o correto a ser feito na época, Taku decepciona os sentimentos de Rikaku e se desentende com seu amigo Yutaka, que só podia pensar na garota (por hora). Os tempos de colégio se findam e cada um segue seu rumo, universidades diferentes em cidades distantes umas das outras.

O tempo passa e serve de lição: cada qual deve amadurecer por si. Quando surge a oportunidade de reencontro, os dois amigos, separados por um amor quase infantil, se veem mais adultos e capazes de se acertarem. Faltava apenas Taku se dar conta de seus reais sentimentos por Rikaku (o que explica como ficara tão envolvido por ela naqueles tempos).

Com direção de Tomomi Mochizuki, um dos membros mais talentosos do estúdio e aluno de Miyazaki, a animação se apresenta de forma bem simples, por vezes chega até a ser rasa. Os elementos de criticas e de reflexão que outras animações da Ghibli trazem, nesta surgem de forma superficial e se vão de forma ligeira. O próprio nome “Ocean Waves” traz em seu cerne uma metáfora que podia ter sido mais aprofundada. Contudo, ainda penso em seu mérito, por ser bem leve, e trazer a beleza típica dos cenários detalhados e cheios de vida, e uma trilha sonora que, mesmo não sendo surpreendente, remetem àquela paz e beleza jovial.

Mesmo que fora dos arquétipos da Ghibli, essa animação é, sim, capaz de nos fazer pensar sobre nossas vidas, comuns e simplórias, e em nossas amizades e relações interpessoais.