[ANIMAÇÃO] O Mundo dos Pequeninos (Resenha Crítica)

Quanto tempo não discurso sobre as animações da Ghibli… Deu-me até saudades deste assunto. Mas, enfim, dou seguimento nesta jornada pelas maravilhosas criações deste estúdio incrível.

Desta vez trouxe uma animação fofa, ao estilo Gulliver… O Mundo dos Pequeninos, a primeira animação da Ghibli dirigida por Hiromasa Yonebayashi. E é a partir daqui que Miyazaki passa a preferir atuar mais nos bastidores, ajudando na direção de arte. Yonebayashi quase sempre atuava neste papel, mas o estúdio percebeu que seria a hora de ele tentar um papel mais central, posteriormente ele dirigiu, também, As Memórias de Marnie.

A trama apresenta dois protagonistas curiosos, Arriety e Sho. Arriety é uma Coletora – uma espécie de criaturas pequeninas – que vive com seu pai, Pod e sua mãe, Homilly, debaixo de uma casa de campo. Sho é um garoto humano, que vai para a casa de campo de suas parentas, a fim de descansar para sua operação (ele sofre de uma doença cardíaca gravíssima, e necessita desta intervenção cirúrgica para ter longevidade).

Os Coletores temem os humanos, tanto por seu tamanho, quanto pelas histórias que rondam entre eles. Duas famílias de Coletores ali habitavam antes deles, uma sumiu por completo, e a outra foi obrigada a mudar-se por segurança. Arriety e sua família pensam que são os últimos Coletores existentes, visto que não tiveram contato com mais nenhum deles.

Eles procuram viver uma vida pacifica, pegando somente o necessário e com muita cautela, para que não sejam vistos por ninguém. Mas essa paz muda quando Sho vê acidentalmente Arriety durante uma de suas explorações do jardim. A partir daí, o garoto vai fazer de tudo para encontrar novamente a pequenina, tentando fazer amizade e ajuda-la no que for necessário. Mas o perigo nunca some por completo, e uma reviravolta na trama põe em risco a segurança de toda a família de Arriety.

Esta história pediu uma animação mais voltada para a exploração da natureza, e todas as suas sutilezas. Ela colabora com essa percepção, já que é bem detalhada. Um bom exemplo desta riqueza de detalhes são as cenas onde Arriety está correndo ao redor de um arbusto, ou o guarda-chuva de folhas que ela usa, ou até a chaleira que a família de Arriety usa para cruzar o rio. As cores vibrantes e os pequenos insetos que se movem pelo ambiente ajudam a compor este universo incrível visto por uma menina pequena, tudo de seu ponto de vista é incrível. Uma animação belíssima com um cenário vivo, e tem sentido completado pela magnifica trilha sonora composta por Cecile Corbet.

Coragem para superar os obstáculos; amizade verdadeira, que nos dá essa força pra superar o medo do novo e diferente, são os tópicos principais do tema. Por trás de uma animação simples e descontraída, levamos um aprendizado crucial.

Como disse anteriormente, os Coletores temem os humanos por seu tamanho, por serem desconhecidos. Mas também os humanos temem os Coletores, pois são criaturas desconhecidas, diferentes… Não conhecer algo nos enche de desinformações, que podem prejudicar nossos julgamentos e ações, assim como acontece na história. Somente quando Arriety toma a decisão de explorar e conhecer a verdade é que ela se torna capaz de compreender aquilo que se passava. Apenas temer os humanos não resolve os problemas, muito menos os ajuda a sobreviver. O mesmo podemos perceber em Sho, que quer conhecer Arriety. Ssomente quando ele se dispõe a compreender as reais motivações que a levam a se esconder é que ele é capaz de fazer algo a respeito. Todos os problemas que surgem por conta do medo são solucionados quando a amizade entre a pequenina e o garoto floresce, fazendo com que comecem a trabalhar juntos. Essa mesma amizade traz a Sho a força necessária para superar a vinda de sua operação, e a possibilidade de morrer no processo. Encontrar Arriety foi a luz que ele precisava para sair de sua depressão. Seu contato mudou ambos, em suas maneiras de pensar e enxergar o mundo.

O Mundo dos Pequeninos tem um enredo ao mesmo tempo simples e profundo, capaz de agradar quem a veja. É uma animação que, por meio da fantasia e doçura, aborda temas mais complexos.