[ANIMAÇÃO] Morre Michiyo Yasuda, aclamada designer de cores do Estúdio Ghibli

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Mestra da arte e detentora de um estilo único, a senhora Michiyo Yasuda, designer de cores de A Viagem de Chihiro, morre aos 77 anos.

Histórias de intrépidas crianças que, por alguma razão, distanciam-se de seus pais e acabam mergulhando de cabeça em universos alternativos e oníricos sempre foram corriqueiras. Essa temática foi trabalhada à exaustão nas obras: Alice no País das Maravilhas, As Crônicas de Nárnia, O Menino do Pijama Listrado, Onde Vivem os Monstros, O Labirinto do Fauno, na antologia de Harry Potter etc.

Numa fase de descobertas regadas à fértil imaginação infantil, as alegorias do mundo surreal quase sempre ajudaram as protagonistas a superar um rito de passagem em sua respectiva realidade.

No entanto, é no apelo emocional que uma crônica se difere da outra e tem maior ou menor alcance de público, e as poesias visuais das animações em que Michiyo Yasuda trabalhou fogem do trivial, sendo hors concours em seu gênero.

Empregando as variações de cores de tons similares, Yasuda possibilitou ao seu espectador ter uma melhor compreensão das cenas. Ela costumava dizer que cada coloração é possuidora de seu próprio significado; a combinação das cores e das imagens seria capaz de intensificar a experiência na telona.

Desde 1985, esteve trabalhando no Estúdio Ghibli, cujas produções contemplam Ponyo, Porco Rosso e Totoro. Depois de gozar cinco anos de aposentadoria, no intervalo de 2008 a 2013, retornou à ativa e trabalhou no longa Vidas ao Vento, que concorreu ao Oscar, mas perdeu para Frozen, em 2014.

Suas obras eram feitas com paixão. Não raro, tomavam emprestado do expressionismo, substituindo as corriqueiras computações gráficas pela técnica manual – numa profusão dramática de pincel e tinta. Toda graciosidade das trilhas sonoras esteve por conta de seu parceiro e compositor, Joe Hisaishi.

Aliados à forte expressão dos quadros, os elementos da cultura e do folclore japonês eram outros dos grandes diferenciais da artista talentosa.

Michiyo Yasuda morreu no Japão no último dia 5 de outubro, em função de problemas de saúde. Fará falta à sociedade, que tem inclinação a um cinema mais conceitual e intimista, e que torce para que a figura do criador tenha mais ou equivalente importância à do produtor/ financiador. Seu nome, sem dúvida, figurará entre os grandes contribuintes da sétima arte.

Veja abaixo alguns exemplos do trabalho de Michiyo Yasuda: