[ANIMAÇÃO] Liga da Justiça Sombria, 2017 (crítica)

Liga da Justiça Sombria é o mais novo longa animado do Universo DC. Lançado esse ano, é um filme um pouco mais pesado e sombrio – até recebeu classificação R nos EUA (menores de 17 anos, só acompanhados por adulto) – morte e sangue são levados à tela com um pouco menos de requinte do que nas outras animações anteriores, e isso foi bom. A animação traz os personagens místicos da DC, como Zatana, Desafiador, Etrigan, Orquídea Negra, Monstro do Pântano, Batman e John Constantine o líder do grupo (mesmo não querendo no começo).

O filme começa com um surto por todo o globo, onde cidadãos comuns têm visões em que todos ao seu redor são demônios, causando caos e morte na sociedade. Em um dos casos, um pai de família que já havia matado os vizinhos, quase mata seus filhos e esposa, sendo impedido no último momento pelo Superman.

Quando a Liga não consegue resolver o problema, chegam ao consenso de que pode ser magia, mas o Batman não acredita. E só é convencido quando a mansão Wayne recebe avisos do Desafiador para que o Morcego procure Constantine. Aliás, a participação dos membros comuns da Liga é bem pequena, exceto o Batman, que serve como um elo entre os personagens com poderes místicos e o espectador (e também por que ele é o Batman).

Durante o desenrolar da história somos apresentados aos outros integrantes do grupo. Encontramos Constantine em um casino em meio a um jogo de cartas junto de demônios e Jason Blood, a metade humana do Etrigan. Logo vemos o humor ácido do mago inglês, que gosta de passar a perna nos demônios, e que é odiado por praticamente quase todos que encontra pelo caminho. Ele conjura magias e feitiços durante todo o tempo (as magias usadas lembram muito Dr. Estranho) além de ser dono da Casa dos Mistérios.

O visual dos personagens também é bem legal, baseado nos Novos 52. Há piadas ao longo de todo o roteiro para dar uma quebrada no clima e deixar o filme mais divertido. Desde John e Desafiador, que fazem piada com tudo, até mesmo Batman tem seu momento de descontração (quando ele chega a dar um susto em uma Mortália). Aliás, o morcego não rouba a cena durante o longa, ele é um coadjuvante na medida certa (um coadjuvante de peso) que não entende muito de magia, mas que se vira quando tem de encara-la. Uma cena curiosa, e que chamou atenção, é quando o Morcego tem que ressuscitar um amigo de John. Ela lembra Pulp Fiction (quando Vincent usa toda sua força para enfiar uma seringa no peito de Mia e salvá-la de uma overdose – aqui acontece algo parecido só que rapidamente).

São mostradas de forma rápida algumas origens, como do Desafiador, Orquídea Negra (que não teve quase nenhum destaque ao longo da história), e do Etrigan, que é a melhor de todas, mostrando que o grande vilão é um antigo conhecido dele. Etrigan rouba a cena durante as batalhas enfrentando demônios e feiticeiros, e por seu jeito rimado de falar, que ficou muito bom. Zatanna é uma das mais poderosas do filme, só que pouco explorada. Quase perde o controle em certo momento, mas volta ao normal, graças ao seu antigo caso amoroso, Constantine. Ela e John vivem discutindo sobre o passado e o antigo relacionamento. O Monstro do Pântano ficou foda, e também não é muito fã do Constantine (me diga um da equipe que é fã dele), porém sua participação poderia ter sido maior.

O final é bom e bem resolvido com um Cavalo de Troia (isso não é spoiler). A direção fica por conta de Jay Oliva, que já trabalhou em outros longas animados para a Warner/ DC, como o excelente Liga da Justiça: Ponto de Ignição (esse merecia uma adaptação bem feita para o cinema).

Liga da Justiça Sombria é bem curto: só 1h15m. Temos um tom sombrio, com mortes e sangue e piadas. Pra quem gosta de uma boa animação divertida e interessante, vale a pena assistir!!