[ANIMAÇÃO] Contos de Terramar (crítica)

Apesar de a animação ser baseada na série Terramar, de Ursula Kroeber Le Guin, devo alertar que não li nenhum dos livros da mesmo (que são 5, por sinal). Tudo o que vou expor tem a ver com a animação da Ghibli.

Com a direção de Goro Miyazaki, Contos de Terramar traz a história de Arren, um jovem príncipe que, após matar seu pai, rouba sua espada mágica e foge do castelo. Vagando sem rumo, e perseguido pelos demônios de seus erros, acaba conhecendo Sparhawk (que só depois se revela um mago), passando a viajar juntos e se encaminhando em direção à cidade. Lá Arren conhece a jovem Therru, muito misteriosa e arredia, que esconde um estranho segredo; e Tenar, que cuida da jovem (antiga conhecida de Sparhawk). As duas vivem em uma pequena fazenda afastada da cidade e cedem abrigo para os dois.

A cidade é governada pela Duquesa Cob (uma bruxa poderosa e maligna), que deseja descobrir o segredo da vida eterna, e como tem uma antiga rixa com Sparhawk, planeja usar Arren para se vingar e conseguir o que deseja (todo o poder).

Acho que a lição principal desta animação é a noção de vida e morte. Para que estamos vivos? Qual é o valor da nossa vida? Qual nossa finalidade? E um paralelo entre Cob e Arren se torna evidente. Ele sente que sua vida é sem sentido, por ser responsável pela morte de seu pai, e não entende porque continua vivo. Ela, por sua vez, deseja permanecer neste mundo para sempre, e se tornar a bruxa mais poderosa de toda a terra.

A qualidade de animação é boa. Todos os elementos medievais que são típicos em histórias de fantasia foram muito bem representados. Desde o castelo da Duquesa de Cob até a cidade e a fazendinha de Tenar, a riqueza de detalhes concebem cenários e planos de fundo magníficos. Os combates entre os dragões são bem construídos, dinâmicos e ferozes. A trilha sonora é excelente, Tamiya Terashima (a compositora da trilha) soube incorporar instrumentais tipicamente medievais e alguns de inspiração céltica.

Em geral, é uma boa animação, apesar de ter lacunas no enredo (mesmo não tendo lido os livros, é perceptível a confusão na trama). Eu me senti perdida no meio, pois algumas das coisas que acontecem ficaram sem explicação. Parece que o material não foi explorado a fundo, mas a minha maior impressão foi que Goro quis usar muita coisa, e as duas horas não lhe permitiram espaço suficiente para contar a história.

Mas, como disse, em geral é uma boa animação, com uma temática profunda que é capaz de nos fazer refletir.



2 thoughts on “[ANIMAÇÃO] Contos de Terramar (crítica)

    • Veja bem, resumidamente, essas opiniões são bem pessoais. Algumas dessas séries eu ainda não tive o prazer de assistir (Baccano!; Excel Saga; ReBoot; GTO; Darkwing Duck; Higurashi No Naku Koro Ni; The Boondocks; Home Movies; Mobile Suit Gundam; Jonny Quest; The Rocky & Bullwinkle Show;), e outras não concordo de estarem neste rol (W.I.T.C.H.; Jake Long; The Angry Beavers; Freakazoid!; Harvey Birdman: Attorney at Law; Space Ghost: Coast To Coast;) muito por sua estrutura e enredos falhos, piadas fracas, e personagens pouco cativantes. São feitos de clichês, basicamente, numa tentativa desesperada de audiência.
      Contudo, em sua maioria a lista apresenta séries que fizeram parte da minha infância, e as considero maravilhosas. Clássicos da CN, da WB e da HB, grandes títulos de animes, histórias incríveis de heróis intrépidos e series de humor crítico.
      Quando somos crianças não ligamos muito para certas características, que posteriormente fazem toda a diferença em nossos gostos. Eu por exemplo, HOJE, considero a lista (em sua maioria) um excelente exemplo de animações que tem mais a oferecer. Mesmo as comédias, que muitos julgam bobinhas, possuem um fundo satírico e reflexivo (um bom exemplo é The Simpsons). Os animes por sua vez, já trazem um lado mais pesado das críticas sociais, mesmo que recheado de fantasia e quase imperceptível, a deturpação humana e violência são alvos da desaprovação do autor.
      Mas como disse, são opiniões bem pessoais, mesmo as que eu julgo fracas, há uma maioria adepta.

Deixe uma resposta