[ANIMAÇÃO] Batman Contra O Capuz Vermelho (crítica).

Os filmes live action da DC Comics são polêmicos, não fazendo com que as opiniões a seu respeito sejam consensuais, de forma que o público fique extremamente polarizado em suas considerações a respeito das produções. É mais ou menos assim: ou ama, ou odeia. Já na divisão de animações, a situação se inverte, é quase unanime: os longas animados são sempre aclamados. “Batman Contra O Capuz Vermelho” não foge a essa regra. Esse filme não só é excelente, como também chega a melhorar o material do qual foi adaptado.

Marcando uma mudança na cronologia das animações baseadas no Cavaleiro das Trevas, o longa adapta duas histórias diretamente dos quadrinhos (“Morte em Família” e “Sob o Capuz“) como bases para o roteiro, coisa que não era tão comum para os filmes animados do herói, e que hoje acabou se tornando tão trivial. Quem assina o trabalho de adaptação é Judd Winick, que foi escritor de histórias do Batman de 2004 a 2006, então pode-se notar que o apego ao material de origem é grande e justificado.

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O filme começa com uma introdução pesada, mostrando a morte de Jason Todd pelas mãos (que seguram um pé de cabra) do Coringa, e explanando quais as consequências dessa fatalidade na vida de Bruce Wayne. Batman continua na sua vida de vigilante, mas é constantemente assombrado pelo fantasma em seu passado, que o relembra constantemente de sua falha ao tentar salvar o último Robin. Após essa introdução, que define todo o clima da animação, temos um salto temporal e começamos a acompanhar o submundo de Gotham, onde os mafiosos e criminosos começam a ser caçados por alguém muito mais letal, e pouco ortodoxo, do que o Cavaleiro das Trevas, que logo se põe no encalço do indivíduo que está agindo contra os seus conceitos. Enquanto um tem um código de ética bem estabelecido, o outro “faz o que tem que fazer” para chegar ao seu objetivo.

O personagem, que se auto intitula de Capuz Vermelho, age como um misto de anti-herói e vilão, seguindo à risca a máxima que diz que os fins justificam os meios, não poupando esforços na tentativa de destruir a criminalidade de Gotham de dentro para fora. O jeito como o filme retrata isso levanta a discussão sobre até onde alguém deve ir para fazer a justiça, e até que ponto essa busca pode ser feita sem que a pessoa que a segue passe a ser aquilo que tanto odeia.

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O Capuz Vermelho seria apenas mais um no caminho de Batman, se não fosse pelo seu treinamento e técnicas extremamente eficientes contra o Morcego de Gotham, fato que o deixa intrigado, pois o Capuz parece conhecer seus movimentos e habilidades melhor do que ninguém, sempre estando um passo à frente. O “vilão” consegue enfrentar Batman de igual para igual, e rapidamente domina o submundo de Gotham. Com esse cenário formado, o Morcego tem que investigar quem é seu inimigo para poder combatê-lo, o que nos leva a um desfecho simplesmente sensacional, que não se limita a ser apenas eficiente na parte da ação e dos embates físicos, mas também criando dilemas éticos e morais que colocam Batman à prova e fazem o espectador se perguntar: O que eu faria nessa situação?

O longa é produzido por Bruce Timm, o responsável pelas excelentes séries animadas do Batman, Superman e da Liga da Justiça, e é fácil notar o esmero que ele tem pelo trabalho, o que resulta em mais uma ótima animação da DC Comics, que acerta em todos os pontos, desde a direção, o roteiro, o elenco de dublagem e também na parte estética.

Batman Contra O Capuz Vermelho” é uma ótima pedida tanto para os fãs do Morcego, que recebem um prato cheio de referencias, quanto para quem não é tão fã assim (existe isso?), pois o longa pode ser encarado como um excelente trabalho de arte.


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