[ADLER COMENTA] Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força (Crítica)

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Você já pode parar de riscar os dias do seu calendário com caneta vermelha. Já pode tirar a foto de perfil com sabre de luz. Pode desativar todos os temas do Google. Pode parar de falar invertido.

O novo Star Wars dirigido por J. J. Abrams finalmente estreou, trazendo consigo novos paradigmas e discussões que irão durar eras. Para ajudar nesse debate todo, vou resenhar aqui o filme em duas partes. Primeiro sem spoilers, para a garotada do Ovomaltine. Depois – com um aviso bem grande para que você possa parar de ler – começarei a falar dos acontecimentos do filme. Vamos lá para a sinopse.

Sinopse

Após o fim do Império, a Aliança Rebelde instaurou uma nova República. Mas não antes de remanescentes do antigo sistema criarem uma nova coalisão conhecida como “A Primeira Ordem“. Essa força, liderada por seu líder supremo Snoke, faz com que a galáxia, mesmo 30 anos depois da queda do Imperador, ainda esteja em guerra. Para combater essa nova ameaça, a Aliança Rebelde também renasce, dessa vez conhecida como “A Resistência“. Nossos antigos heróis todos se separaram. Luke está desaparecido, Han voltou a ser um contrabandista e Leia agora é o General das forças rebeldes. Para unir esses velhos conhecidos e combater o mal, se juntarão Poe Dameron, o melhor piloto da Resistência, Finn, um stormtrooper renegado e Rey, uma catadora de sucata, além de BB-8, o droide esférico. Pela frente, eles enfrentarão a tirania de Snoke, a liderança militar da Capitã Phasma e o lado negro de Kylo Ren.

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Crítica

É impossível não chegar em um filme desse lotado de hype. É mais forte do que você, mesmo que não seja o maior fã do mundo. Se você conhece o mito, as histórias, a beleza de Star Wars, sabe que, a partir do momento que ouvir a música tema e o logo aparecer flutuando no espaço, você adentrará um novo Universo de realização, alegria, medo e tudo mais. Não foi diferente para mim, ainda mais por estar rodeado de fãs que reagiam calorosamente a tudo.

O medo de uma nova trilogia estilo episódios I, II e III logo passou. Estamos vendo um mundo mais tecnológico, avançado, com efeitos estupidamente mais bem feitos, mas nada engessado, ou com diálogos idiotas. O filme fica extremamente sombrio quando precisa, mas também sabe ir para a comédia descontraída, para as tiradas cômicas próprias daqueles personagens, nada forçado. A sensação geral é de que finalmente alguém sabe o que está fazendo com a franquia. Igual quando saiu o desenho “Star Wars: The Clone Wars“, criado por Genndy Tartakovsky. O desenho, igual o filme, pegava o melhor daquele mundo e criava suas próprias histórias, criando batalhas mais memoráveis e dando mais diálogos bem escritos aos personagens. Isso só comprova que Star Wars é o brinquedo perfeito para qualquer diretor e ou animador entusiasmado. Eu digo que, se a nova trilogia tivesse recebido o mesmo tratamento, ainda que com os mesmos personagens, teríamos hoje muito mais respeito por ela. Respeito esse que também é dado para a mitologia desse Universo no novo filme. As naves respeitam o design dos filmes clássicos, mas ousam em moderniza-las. Afinal, agora sim faz sentido um filme mais moderno e bonito avançar as tecnologias daquele mundo, diferente de como as histórias do passado faziam.

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Os personagens são mais vivos e carismáticos do que nunca. Talvez um ou outro que prometiam demais acabem ficando por desejar, mas nossos heróis e o vilão principal todos conseguem ser tridimensionais, com sentimentos, medos, falhas, sonhos. Finn, Rey e Kylo acabam sendo os melhores personagens, tanto pela dinâmica dos dois primeiros quanto pela humanidade latente do último. Kylo Ren não é um vilão frio, sem erros, perfeito. Pelo contrário: ele tem muita ira, acessos de raiva, medos, ódio. Como vilão, ele é impecável. Seu controle da Força, seu sabre de luz único, sua máscara. Inclusive, se vocês perceberam, o “fluxo” do sabre de luz de Ren não é limpo e uniforme, como sabres de luz normais. Ele parece mais uma espada de chamas, que dança, vibra, flui. Um fluxo inconstante, cheio de raiva, assim como seu dono. Uma boa dica visual que talvez poucos pegarão.

O Despertar da Força também é um filme extremamente inteligente e empoderador. São diversas as vezes onde o papel de “herói/mocinha em perigo” é invertido de forma brilhante. São ocasiões até subliminares que não esfregam na nossa cara, mas que quando percebidas, te puxam aquele sorriso do canto da boca. Pequenos momentos onde a igualdade é mais do que abordada, sem fazer discurso político. E Rey continua sendo uma mulher. Apesar de valente e durona, ela não é uma mulher pensada por um homem. Rey é bem viva e única, ainda mais por ser tão bem interpretada por Daisy Ridley. E não esqueçamos, claro, de Finn. Um herói negro, importante, sem clichês. O personagem acaba sendo duas vezes uma quebra de paradigmas. Primeiro por sua cor, depois por ser o primeiro stormtrooper de todos os filmes que tem ideias, pensamentos, medos. Seja no nosso Universo ou no de Star Wars, o personagem é revolucionário e muito bem conduzido. John Boyega entrou nos nossos corações e provavelmente não sairá mais de lá.

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Minhas ressalvas são duas. Uma eu abordarei mais na sessão de spoilers, que é o quão parecido o filme é de “Uma Nova Esperança“. A outra é a falta de um tema bem claro para o filme. Se cada filme da franquia tem sua composição e orquestra própria, com seu próprio tema, O Despertar da Força às vezes parece não ter muita música. Não sei se fui eu que me empolguei em todas as cenas e não prestei atenção, ou se de fato o filme deixou isso mais de lado. Talvez quem assistiu possa até me ajudar nos comentários. Mas nenhum tema musical me marcou.

Antes dos spoilers, darei a nota:

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Nenhuma nota menor pode ser dada para um filme que revolucionou tanto o universo de Star Wars. Nem mesmo o título, de LENDÁRIO, é exagero. O Despertar da Força é um excelente novo começo, que agora precisará mais do que nunca viver à sua expectativa. Qualquer ser humano deve assistir ao filme, tanto para ser introduzido de forma espetacular à franquia (que talvez depois fique chata perto desse filme) quanto para rever um mundo tão icônico trabalhado de forma digna.

E, bem, agora adentramos a parte do texto onde falarei de mortes, lágrimas e aerofólios de carros de corrida. Sim, eu falarei dos temidos SPOILERS. Entre por sua conta em risco.

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IMAGEM HORROROSA PARA ESPANTAR QUEM NÃO VIU O FILME

A trama

No fim do filme, a minha sensação de que eu tinha assistido um remake muito bem feito de “Star Wars: Uma Nova Esperança” estava ainda mais forte. Tantos elementos chave foram usados, a narrativa quase que se seguiu idêntica. Nós temos a captura de um membro da Aliança Rebelde por parte de um cavaleiro negro usuário da Força. Temos o envio de um droide com planos secretos para bem longe, no deserto. Temos a tortura por parte do cavaleiro negro ao membro da Aliança capturado. Temos alguém vestido como stormtrooper resgatando o membro da Aliança. Depois, o droide enviado encontra um morador do deserto, que sonha em poder viver aventuras. Ainda no deserto, a heroína sonhadora foge junto do droide e de seu companheiro masculino a bordo da Millenium Falcon. Uma figura anciã aparece depois, endireitando aqueles personagens no rumo correto. Bem mais tarde, temos uma super-arma em forma de planeta, que demonstra seu poder de fogo em outros planetas. No final, a base Rebelde é ameaçada por essa super arma, e uma missão é feita para impedi-la A figura anciã é morta pelo cavaleiro negro, a Aliança Rebelde ataca a super-arma, agora enfraquecida e sem escudos, e a explode completamente.

Ainda temos partes de outros filmes ali, como a figura anciã pequena ajudando o herói a encontrar o caminho da Força, uma figura maligna e superior a todos dando ordens a seus subordinados através de um holograma, um personagem que tinha cara de ser fodão e importante sendo descartado de forma boba. Boba, entendeu? De forma Boba Fett, hahahahahahahahahahahahahahahaha!

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Enfim, uma parte considerável do filme é bem original, como a fuga de Finn e Poe do Star Destroyer, ou toda a batalha final, com alguém que não é usuário da Força lutando com um sabre de luz. Eu não sei se gosto ou desgosto desse uso tão forte de elementos clássicos do primeiro filme. Afinal, o resultado foi excelente e o filme é fantástico. Mas, ainda assim, você fica se perguntando se deveria mesmo ter amado tanto algo que basicamente refez os mesmos passos dos heróis clássicos.

Outra coisa interessante: nunca antes a Força foi tão bem utilizada e explorada. É a junção dos poderes de níveis titânicos que a Nova Trilogia e jogos como “The Force Unleashed” usavam, com aquele poder mais psicológico e de terror, que a Força teve com Darth Vader e Ben Kenobi nos filmes antigos. Porra, estamos falando de um filme onde Kylo Ren segura um TIRO DE UM BLASTER COM A FORÇA E O DEIXA PARADO NO AR POR MINUTOS. Acho que naquela hora eu soube que veria um novo nível de poderes e efeitos. E que sorte que eu não estava errado em esperar demais daquilo. Todos os usos da Força da parte de Ren são memoráveis e incríveis. A tortura, a paralisação do corpo completa, a telecinese. E do lado da Luz, Rey também utiliza muito bem o seu controle de mente. Isso acaba refletido na última batalha, a primeira e única luta de sabres de luz do filme todo. O uso inteligente da “guarda” do sabre de luz de Ren, a inexperiência de Finn, que acaba pagando seu preço, a inesperada derrota do cavaleiro negro para Rey, que nunca tinha utilizado a arma antes, mas instintivamente soube o que fazer. Em termos de ação e efeitos especiais, como um todo, o film está de parabéns.

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Até me surpreendi com o quão rápida foi a revelação de que Kylo Ren é filho de Han e Leia. Isso é um elemento trazido do antigo Universo Expandido que coube muito bem aqui. Um filho, obviamente com afinidade com a Força, treinado pelo novo Mestre Jedi Luke, que depois acaba sucumbindo ao Lado Negro pro qual o avô já tinha ido antes. Isso faz com que a jornada de Han nesse filme seja totalmente diferente. Antes um contrabandista que não se importava com nada que não fosse sua nave, seu companheiro Wookiee e sua própria pele; Han agora é um pai derrotado, que foge da responsabilidade de ter que trazer seu filho de volta para o bem. Um herói que não quer nem se dar bem e nem se dar mal, apenas fugir e esquecer seus erros. Um pai que se redime no fim, criando a cena mais linda de todo o filme, quando Han confronta seu filho em uma ponte. Eu devo dizer que já tinha percebido que o roteiro tava com uma cara de que ia matar Solo, mas eu só tive certeza absoluta quando essa cena começou. Estava na cara de que, em um lugar tão emblemático, com tantas pessoas importantes assistindo tudo de longe, de frente a um vilão que precisava provar a sua maldade, haveria uma morte. E que morte mais bem dirigida. Pai e filho de frente um para o outro. Kylo pede que seu pai o ajude a realizar o último passo que precisava. Han se abre e ajuda o filho. O Sol lá atrás se apaga, deixando tudo mais escuro e sombrio, até que Kylo finalmente impala o próprio pai com seu sabre, que morre, mas antes faz um gesto de afeto naquele filho perdido há tanto tempo.

Logisticamente falando, Harrison Ford foi uma boa escolha para ser dispensado. Além de ele ser o ator mais procurado e com agenda mais cheia dos três originais, o personagem que ele faz não tinha mais como sobreviver nas graças do público. Comentem depois se também acharam isso, mas eu senti que Han tinha perdido boa parte de seu charme. Era bom e divertido ver seu personagem, mas por uma questão muito mais de memória e respeito ao que já foi do que ao que ele era naquele filme. Eu posso falar porque, um dia antes, assisti O Império Contra-ataca e O Retorno de Jedi. Neles, Ford é canastrão como nunca. Seu charme é evidente. Seus trejeitos cafajestes são mais do que bem aceitos. Eles fazem aquele personagem ser amado. E, agora, no novo filme, toda essa magia se foi, com poucos momentos onde o ator parece voltar àquela época. Talvez Ford tenha desaprendido a como fazer o Han Solo perfeito, ou talvez o roteiro exija que o personagem seja tão diferente agora, ainda mais dado os acontecimentos com a família do mesmo. O ponto é: Han Solo é o personagem que precisava morrer. Tanto para destruir seus fãs, que são os mais numerosos, quanto para abrir um novo caminho para personagens novos e diferentes caminharem.

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Ficamos, então, com a dúvida: seria Rey a filha de Luke? Várias pistas no filme, além de supostos vazamentos de roteiros, davam a entender que Rey seria também filha de Han e Leia, e irmã de seu arqui inimigo Ren. Mas o filme também deixa claro de que Han e Leia se preocupam unicamente com seu filho. Em nenhum momento eles parecem abalados por estarem de frente com a filha abandonada. Isso reforça, então, a segunda teoria: de que ela é filha de Luke, que provavelmente a abandonou, ainda criança, depois de ver que seu pupilo Kylo Ren havia se transformado em um lord das trevas. Eu, particularmente, prefiro acreditar que Rey não é filha de nenhum Skywalker, mas sim parte de uma trama muito mais complexa e original. É óbvio agora que veremos mais de seu passado nos próximos filmes, mas eu acho que associa-la também à família Skywalker seria diminuir as possibilidades e deixar o roteiro mais óbvio. Por que ela não pode ser…a neta de Ben Kenobi? E se o velho Ben teve um filho escondido, que pode ser um outro personagem importante a ser apresentado, e ele deixou Rey em Jakku por X motivos? Ou ainda que ela fosse algum tipo de ser criado pela Força, por mais que isso seja relembrar o horrível A Ameaça Fantasma. Talvez Rey faça parte dos planos de Snoke, como uma bomba relógio escondida que um dia será ativada pelo vilão.

Enfim, façam suas teorias aí embaixo. Eu sei que estou bem feliz depois de todo o filme e estou confiante nos próximos, mesmo que o diretor de um deles seja o mesmo cara sem sal que dirigiu Jurassic World.


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5 thoughts on “[ADLER COMENTA] Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força (Crítica)

  1. Gente, nossa, eu vim aqui só porque você pediu para comentar sobre o Han Solo ter perdido o charme…. NUNCA.
    hahaha
    Harrison Ford nunca perderá o charme dele <3
    hehe
    Eu estou de coração partido, sangrando, porque um dos meus personagens preferidos da vida toda morreu </3

  2. E se o Luke morreu, e só existe a materialização espiritual dele como Ben no ep. IV? Cara, ele acionou o R2 com a força LA DA PUTA QUE PARIU ! Nao duvido que ele é apenas um espirito.

    • Não, ele não morreu. Você se lembra do Ben no episódio V e VI? Ele aparece meio azulado, com uma aura. O Luke não estava assim.

      O R2 deve ter sido programado para ativar ou (a) quando o sabre de luz estivesse por perto ou (b) quando a base Starkiller fosse destruída e o planeta do Luke estivesse a salvo. Ou ainda (c) quando a Rey estivesse por perto–reforçando a teoria de que a Rey é filha do Luke.

  3. Excelente análise. Eu discordo em um ponto, somente: A música continua tão viva e marcante como sempre foi.

    Logo na primeira assistida houve dois que me chamaram a atenção:

    – O tema da Rey (ele toca da primeira vez que ela aparece e é usado no filme todo. Ele também toca nos créditos finais, logo depois do tema principal)

    – A música de quando a Starkiller entra em operação. É uma das coisas mais bonitas que o Williams já escreveu.

    O tema do Kylo Ren eu achei meio fraco, mas, por outro lado, o Kylo Ren é fraco. Ele não é tão imponente quanto o Vader para merecer um tema como a Marcha Imperial.

    Enfim, fica difícil falar sem poder dar exemplos, porque a trilha sonora está sendo vendida e é difícil de achar no Youtube, por exemplo. Se tiver a chance, ouça o tema da Rey (NÃO É O QUE ESTÁ NO YOUTUBE).

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