[ADLER COMENTA] Porquê eu comprei Enigma: o enigma

enigma_1440_900Saudações galera. O patrão aprovou o post piloto, a galera foi ao delírio, as visitas ultrapassaram 90% dos meus antigos posts por aqui, e a crítica especializada deu 9/10. Ou seja, continuo eu aqui, nessa sexta-feira, para comentar comentários.

Hoje eu resolvi voltar pro meu lado otaku, muito aflorado pelo meu Twitter, e falar de um mangá. Agora, normalmente eu faria um review, no padrão Adler de ser. Dividindo meus pontos em parágrafos, dando a nota no fim e fazendo ou não a recomendação.

PORÉM, eu gosto de fugir do clichê. E também sou muito bom para falar mal das coisas. E EIS que me aparece um mangá que desperta em mim uma rage nunca antes sentida na atmosfera otakística. Um mangá que me comeu meus bons 13 reais. Um mangá que teve a OUSADIA de me enganar com uma capa ligeiramente boa e uma sinopse safada. Por isso, hoje não farei nenhum review. Farei uma FOGUEIRA com esta merda chamada Enigma.

Lição 1: Como enganar um leitor

Antes de tudo, venha comigo analisar essa capa:

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Até que é bonita, não?

Mas perceba as referências. Primeiro temos a formação clássica desse painel. São diversas pessoas, cada uma representada com uma pose e tamanho diferente, mas todas compondo um “grupo”. Como se esse fosse um mangá sobre um grupo de pessoas especiais, que por acaso também são estudantes do colegial. E, pra dar um ar de diferente, tem um mascote desenhado (com esmegma e massa fecal) ali no meio, com traços infantis. Que daora! 😀

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Isso sem contar que temos na capa um personagem quase gêmeo do Raito Yagami e um cara aleatório com tapa-olho à lá Katekyo Hitman Reborn. Mas hey, isso acontece, é normal. Até para um shonen de mistério sobrenatural, esse gênero que, quando feito corretamente, é uma mina de ouro. Principalmente quando você precisa parecer bom sem ter feito nada antes.

E a sinopse?

Sumio Haiba é um colegial comum… Isso, se ignorarmos que ele guarda um grande segredo: ele possui o “Diário dos Sonhos“, uma habilidade capaz de prever o futuro!!! Certo dia, uma existência misteriosa que se autointitula “Enigma” reuniu à força sete pessoas com talentos únicos como o Sumio! E agora começa a grande fuga deles enfrentando o próprio destino…!

Admito que foi a sinopse que me pegou. SETE PESSOAS COM TALENTOS ÚNICOS. Eu gosto de diversidade de poderes e de grupos que os possuem. Por isso, logo imaginei que esta seria uma experiência agradável, divertida e, acima de tudo, com poderes bem elaborados. Sem contar o fator “mistério”, que prende o leitor como um retardado até o fim do mangá, só para descobrir as verdades daquele mundo. Tipo como Bleach faz ainda hoje comigo. Ou como Lost fez com todos vocês.

Lição 2: Como deixar um leitor triste

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Fui feito igual uma bunda :3

E lá vou eu ler Enigma.

Sem nenhum pudor, o poder do “Diário dos Sonhos” é jogado na sua cara, sem background, sem desenvolvimento, nada. E as coisas vão tomar esse rumo: elas são jogadas demais. Parece que o mangá está com pressa pra te deixar curioso logo pelo mistério, então ele corta qualquer desenvolvimento de personagem. Sumio às vezes dorme do nada, e enquanto isso acontece, sua mão esquerda ganha vida própria e desenha no caderno mais próximo uma figura e um texto que prevê o futuro. Ele serve como um “herói” em sua escola, salvando pessoas indefesas de bullies e coisas do tipo. Sumio tem uma amiga, Shigeru, que é presidente do conselho de classe. Ou seja, é chata. E como a acompanhante feminina chata e sem importância, ela permanece do lado de Sumio pelo resto da história. Não temos tempo nem de achar ridículo o poder do garoto e já somos apresentados ao “Enigma”. Que basicamente é um “Jogos Mortais sobrenatural”. Sete adolescentes, incluindo a atrocidade que chamei de mascote da capa, presos dentro de uma escola. A própria escola que eles frequentam mesmo. A diferença é que ela está vazia e eles estão trancados ali dentro. Ah, e claro, tem uma voz maligna falando com eles, dizendo que eles terão que jogar um jogo.

Eu queria que isso fosse uma piada sem graça minha, mas não é. Isso realmente acontece. Incluindo um “avatar” bizarro cujo vilão usa para aparecer para os estudantes. E nesse jogo eles basicamente precisam encontrar chaves e senhas, escondidas atrás de “armadilhas” que precisam ser vencidas com inteligência e planejamento. Armadilhas essas que, claro, são mortais. Iguais aos Jogos.

Assim, qualquer esperança de que eu leria algo bem escrito/desenhado foi pra vala. Nada de bom uso de poderes, mistério bem construído, personagens bem feitos e cuja história você quer muito conhecer. Afinal, eu não estava lendo nem uma adaptação de Persona, muito menos um thriller policial como Death Note. Era a bosta de Enigma mesmo

 

Acima de tudo, NÃO CONFIE NESSAS CAPAS MARAVILHOSAS

Acima de tudo, NÃO CONFIE NESSAS CAPAS MARAVILHOSAS

Lição 3: Como deixar um leitor BEM PUTO

Essa é a hora que vocês esperavam, né? Vamos logo ao ponto.

ENIGMA É UM NOJO DE MANGÁ. Eu precisaria de muito tempo isolado da humanidade enquanto consumisse muitos tóxicos para poder desenvolver uma merda tão inacreditável como essa. Nem mesmo Cavaleiros do Zodíaco teve um efeito tão avassalador em mim, e olha que hoje eu sei o quão ruim o Kurumada é. Se eu fosse descrever Enigma como uma flor, seria o alface. Se fosse descrever como uma fruta, seria o tomate. Se fosse descrever como um país, seria o Vaticano.

Eu até agora não estou acreditando que consegui ser tão ludibriado a comprar uma obra tão pobre e ruim. Sem brincadeira, eu chorei sangue, esperma e outras secreções corporais enquanto meus olhos queimavam ao olhar as páginas aqui desenhadas e escritas. AONDE eu ia esperar um mangá tão morto e sem criatividade aparecer ali?

Bem, vamos melhorar essa análise. Conforme a trama da escola se desenvolve, descobrimos os poderes sobrenaturais de mais alunos. Afinal, é sobre isso que o mangá se trata. E, pra falar a verdade, esse é o único fator que vai te deixar com vontade de terminar de ler essa bujanga. Isso se, como eu, você não tiver um smartphone e/ou acesso instantâneo à internet. Nesse caso, faça como eu, depois que li o mangá, e pesquise todos os poderes dos alunos na wikia de Enigma. Faça esse favor pra si mesmo e poupe muitos traumas.

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E aí que esses poderes, bem, até que são diferentes. O garoto caolho consegue tornar coisas invisíveis. Mas não só coisas que existem ali com ele. Ele pode, por exemplo (na verdade, o único exemplo disso utilizado no mangá), tornar alguma pessoa em uma foto invisível. Assim, dá pra ver o que estava atrás da pessoa naquela cena. Um poder muito específico, usado em uma situação muito específica.

Uma outra garota tem como poder uma mão invisível desconectada do corpo que ela pode controlar remotamente. Essa mão é como uma mão qualquer, a diferença é que, além de invisível, ela deixa marcas pretas por onde toca, como se a mão fosse eternamente suja de tinta. Um poder um pouco melhorzinho, mas meio baseado em Elfen Lied demais. E fraco, acima de tudo.

Além desses poderes, tenho que avaliar os personagens. Dos sete, acredito que nenhum se salva. Muitos clichês, muitas pessoas que você não tem nem tempo de gostar direito. Problemas que você não consegue se simpatizar. Como o garoto do tapa-olho, Moto Hasekura. Ele tem problemas para usar seu poder. Travas emocionais, para ser exato. E infelizmente eu não consegui dar uma foda para essas crises dele. Elas vieram muito em cima da hora, em uma situação onde ele nem tinha tempo de desenvolver sua fraqueza. Simplesmente foi resolvida com o protagonista conversando.

A arte também não ajuda muito. Enquanto a capa tem um “quê” de Takeshi Obata, o miolo deste sanduíche de sonhos mortos tem um gosto bem mais amargo. O mangaká aqui não sabe fazer expressões. Novamente, existe uma sensação de pressa inacreditável, e até mesmo na arte nós vemos isso. São painéis inteiros desenhados de uma forma resumida, sem detalhes. É tudo muito simples e muito pobre. Até cheguei a me perguntar se estava lendo algum mangá brasileiro.

O principal problema, apesar de tudo isso que disse, é o protagonista. Acredito que é trabalho crucial de um mangaká fazer um protagonista minimamente bem desenvolvido, o suficiente para que o aguentemos enquanto exploramos o mundo daquela obra. Realmente existem mangás onde o protagonista é chato e detestável, mas ele pelo menos não nos cansa, não é um personagem que te deixa enjoado daquela cena e situação. E isso é exatamente o que acontece com Sumio. O rapaz é muito…eu não sei. Ele é muito protagonista pronto, sabe? Ele é um protagonista por encomenda, que já vem certinho, engomado, com papos chatos motivacionais e com um ar de superioridade que só o autor consegue usar. Você é praticamente obrigado a achar o rapaz alguém incrível, quando na verdade ele é um cancro pulsante que não deixa os coadjuvantes brilharem. Talvez sem ele, eu até teria alguma simpatia por Moto ou pela riquinha de 3 mãos. Pra mim, o maior pecado que você pode cometer ao escrever um mangá é criar o pior protagonista possível, e Enigma fez isso de tal forma que eu acredito que romperei as barreiras da saúde e da minha própria filosofia de vida e usarei este amontoado de papel para enrolar um cigarro e fumá-lo.

Resumo da obra: não fode

Como disse antes e reitero aqui, não irei dar nota. Eu acho que nota é algo que se dá para uma obra que você conseguiu acompanhar inteira, ou pelo menos é algo que edições únicas às vezes merecem por algum valor que foi lhe passado através da leitura. Enigma não entra nem nesse caso. É um desperdício de papel, um desperdício de tinta, um desperdício de esforço em tradução e diagramação. Enfim, é um desperdício de tempo. Afinal, estamos falando de um mangá feito por Kenji Sakaki, autora que nunca antes tinha feito nenhum mangá, apenas tinha sido assistente de Akira Amano, autora de Katekyo Hitman Reborn. Ah, acho que agora entendo o tapa-olho do rapaz 😀

Outra curiosidade: Enigma é um mangá FRACASSADO. Foi cancelado em seu sétimo volume, não totalizando nem dois arcos de mangá. Ou seja, se você ainda tinha esperanças nos mistérios que a obra ia propor daqui para frente, desista. São 7 volumes, sendo que, pelo que li em outras resenhas, só metade vale a pena. O arco final é demasiadamente corrido e pouco tem do “””””””””””””””””””valor”””””””””””””””””””” desse primeiro arco. E eu digo que, se ISSO QUE EU LI é o melhor de Enigma, então provavelmente o resto da obra é uma Relíquia da Morte e deveria ser destruída com leite, orações e muitas pauladas.

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2 thoughts on “[ADLER COMENTA] Porquê eu comprei Enigma: o enigma

  1. Olá Adler, estava lendo seus cometários sobre o Enigma… Cara, sério, você exagerou falando tão mau dele. Se não curtiu o mangá, devia ter pelo menos respeitado quem gostou, criando de um modo mais educado sua análise. Afinal, gosto é gosto e todo mundo fica puto quando falam mau de algo que elas gostam. Creio que se você também encontrasse uma matéria negative sobre um mangá que você adora, você com certeza ficaria chateado. Claro que não estou te julgando nem querendo arranjar tretas, mas devia pensar melhor nisso cara. Abraços 🙂

    • Olá Júnior

      Antes de tudo, obrigado por comentar. Bem, meu estilo de “resenha”, normalmente, é mais cômico do que “correto, justo e exemplar”. Eu realmente não me importo de escrever algo chato, frio e imparcial. Eu sempre escrevi assim no meu blog e fui chamado para escrever para o NGF justamente por causa desse estilo.

      Agora, algo mais sério: eu realmente estou cagando para quem gostou da obra que eu resenhei. Até porque eu não estou mentindo: eu realmente odiei essa obra. E acredito que o que importa é a minha opinião, não é mesmo? Eu não vou me conter falando sobre algo tão ruim só porque alguma pessoa no mundo deve ter gostado. Infelizmente você e muitas pessoas acreditam que reviews precisam massagear os gostos dos fãs e dizer que eles estão certos. Já eu acho que preciso falar o que penso, e você que é leitor vai saber o meu ponto de vista. Você pode discordar, é claro, mas não pode me pedir para escrever de forma melhor ou “pegar leve” com a obra. Ela é uma merda, tem sete volumes porque foi cancelada, tem uma história batida, arte cagada e personagens feitos de papel.

      Enfim, espero que entenda. Ou não, tanto faz.

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