[ADLER COMENTA] “Lobisomem Sem Barba” de Wagner Willian (Resenha)

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Nota do editor: hoje estamos estreando um segundo formato de resenhas aqui no NGF, a áudio-resenha! Aperte play abaixo, e ouça o Adler em pessoa fazendo uma leitura de seu texto, com o acréscimo de trilha sonora. Após ouvi-la, opine nos comentários, dizendo o que achou desta nova opção que oferecemos a você! Sua opinião é muito importante pra nós! 🙂


Eu simplesmente nem sei por onde começar. Já fiz resenhas de muitas coisas, como animes, mangás, filmes. Nunca antes tinha feito sobre um livro. E logo para começar, resolvi pegar um que não é nada convencional. Um emaranhado de contos e subcontos, que tal qual fios de barbante, se emaranham e compõe um “esqueleto” de história mínima. Esse sou eu lutando contra mim mesmo para falar de uma obra que expressa tanto e mexe com muito do seu cérebro, mas você mal sabe o porquê.

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Wagner Willian é artista plástico e pintor. Este é seu primeiro livro, o que casa perfeitamente com a minha “virgindade” quanto à resenhas literárias. Logo de cara, percebemos que “Lobisomem Sem Barba” não vai ser mais uma leitura corriqueira e padrão da sua noite. Primeiro porque todas as páginas carregam consigo ilustrações e fotografias feitas pelo autor. Muitas ilustrações são recriações de cenas e pessoas reais, da cultura pop. Não só isso, mas o texto é fatiado e temperado por cima de postagens de um blog. Postagens essas que, na primeira parte do livro, são acompanhadas de comentários dos leitores. Essa dinâmica é o que nos carrega por boa parte da trama. Trama essa que é muito diluída entre pequenos comentários e frases espalhadas pela obra. É quase um “puzzle” reunir tudo isso e montar na sua cabeça a história verdadeira e que dá título ao livro.

Mais pro final do livro, as postagens param e começamos a ler textos mais sérios e que nos indicam uma trama mais sombria. Como se a verdade daquele mundo fosse descoberta mas ninguém quer aceitá-la, o que leva todos a fugirem da realidade. Nomes recorrentes nas postagens do blog ressurgem aqui. São diversos caminhos tomados, muitos deles se cruzam enquanto outros nunca mais são vistos. Contos perdidos e espalhados igual às imagens em referência a filmes, letras de músicas, programas da televisão, pensadores modernos. Um recorte de ideias, historias e desenhos.

Não é um livro para muitos. Acho que é preciso quebrar a cabeça e ler mais de uma vez para poder interligar essas pontes. Eu mesmo precisei ouvir a opinião de outras pessoas para clarear a minha visão.

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Resolvi ler meu exemplar durante uma viagem de ônibus

Talvez o tema mais recorrente na obra, assim como nas obras artísticas do pintor, seja a pornografia e o erotismo. Muito sexo é descrito e referenciado, quebrando vários tabus e expondo a veia mais pervertida do autor, e isso não é ruim. Dá uma vida mais “suja” para a obra, o que combina com o papel jornal que compõe as páginas, como se fosse um folhetim antigo e barato. Uma daquelas revistas descartáveis com contos eróticos e baratos.

Isso tudo acaba criando, ao longo dos textos, uma “crônica sobre a vida urbana moderna”. Afinal, a ideia de escrever esse livro surgiu justamente com mini contos que o escritor postava em seu Facebook e dos comentários que surgiam. Aquela realidade urbana e fria estava estampada ali, e Wagner aproveitou isso para montar esse ninho de passagens. Um livro escrito com café, impresso em cigarro e vendido em puteiros.

Eu gostei do que entendi, e olha que não foi muito. Vou revisitar essa obra sempre que der, tentando encontrar uma nova pista que me indique mais fragmentos da história e da tragédia. Um trabalho editorial muito bom da Balão, que não estragou nenhuma das ilustrações preto e branco do artista. Uma recomendação não tão forte, mas corajosa. Para aqueles que quiserem tomar o desafio de montar a história desse livro. E mais ainda, um livro que com certeza “vende” bem a arte de seu autor, uma pessoa que com certeza procurarei acompanhar o trabalho daqui em diante.


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lobisomem sem barba wagner willian balao editorialLobisomem Sem Barba
Wagner Willian

Capa comum: 352 páginas
Editora: Balão Editorial
Tamanho: 15,8 x 11 x 3 cm

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