A morte da TV a cabo como a conhecemos?

Hoje é um dia importante para o futuro da TV a cabo e, talvez, até para o futuro da TV que conhecemos hoje. Chega na Netflix, em todos os países onde ela atua, a série House of Cards: a primeira produção exclusivamente bancada pela empresa de Reed Hastings.

netflix house of cards

House of Cards foi uma série de televisão em 4 episódios apresentada pela BBC no final de 1990. Os direitos do projeto foram comprados pelo estúdio independente Media Rights Capital (o mesmo de Brüno, Os Agentes do Destino e Ted) graças a uma recomendação de um estagiário a Mordecai Wiczyk, co-fundador do MRC.

Quando estava acabando de dirigir O Curioso Caso de Bejamin Button, David Fincher (também responsável por O Clube da Luta e A Rede Social) foi apresentado a série original da BBC através de um agente e logo disse que adoraria produzir a série e levar Eric Roth (responsável pelo roteiro de Benjamin Button, Tão Forte e Tão Perto e outros) junto na empreitada.

A MRC criou o piloto e levou o projeto a diversas emissoras que poderiam estar interessadas: HBO, Showtime, AMC… E, na esperança que seria interessante ter as temporadas disponíveis no Netflix após a premiere televisiva, a empresa também foi incluída na lista de compradores. Ted Sarandos, chefe de conteúdo da empresa, analisou os dados e decidiu que mais interessante do que disponibilizar a série após as emissoras de TV, seria ter direitos exclusivos de exibição.

A possibilidade era assustadora no momento. Como uma série vai ter sua temporada intera liberada no Netflix sem ter passado na TV? Mas a oferta era excelente. 100 milhões de dólares para produzir duas temporadas de 13 episódios com exibição exclusiva no serviço de streaming. Negócio fechado e anunciado em março de 2011.

O futuro da produção e da distribuição de conteúdo televisivo ainda é incerto, mas Reed Hastings, visionário CEO da Netflix, acredita que a libertação do modelo de televisão atual, que ele chama de “insatisfação gerenciada” é iminente.

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Reed Hastings, CEO da Netflix

A insatisfação gerenciada é um modelo baseado em espera. Segundo Hastings, “você deve esperar que seu programa vá ao ar na quarta-feira às 20h, esperar pela nova temporada, ver todos os comerciais da nova temporada em todos os lugares, conversar com seus amigos do escritório sobre o quão ansioso você está”. Para os filmes, esperamos pela estreia, pelas diferentes janelas de lançamento… O que acarreta em milhões de pessoas assistindo a mesma coisa ao mesmo tempo. Para o CEO, uma vez que nos desvencilharmos da insatisfação gerenciada, nunca mais vamos querer voltar a ela.

A ideia de nos libertar é incrível, mas assustadora para quem ganha milhões enquanto esperamos para assistir aquele episódio que vai passar às 23h, quando precisamos trabalhar cedo no dia seguinte.

A batalha está anunciada e começando, executivos de TV dizem que o negócio de produção de séries com “qualidade HBO” é extremamente caro e não sabem como o Netflix vai conseguir sustentar sua empreitada a longo prazo. A equipe do Netflix acredita que está ajudando a modelar o futuro: não precisaremos mais dos formatos de episódio de 22 minutos ou uma hora, também não precisamos que todos os episódios tenham a mesma duração, nem de recaps.

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Game of Thrones não chegará tão cedo no Netflix

A concorrência contra-ataca. Com a criação do HBO Go, não espere assistir Guerra dos Tronos via streaming no Netflix tão cedo. Quem detém o conteúdo que as pessoas querem assistir detém o poder.

No Brasil, podemos analisar o mesmo panorama. Enquanto novelas e séries do SBT e da Band estão em peso no serviço de streaming, você não vai conseguir rever as maldades de Carminha em Avenida Brasil. Ainda mais depois da criação do Globo.tv.

Enquanto isso, outras séries exclusivas estão planejadas para serem disponibilizadas no Netflix ainda esse ano: Orange Is the New Black, Hemlock Grove e a volta da aclamada Arrested Development. E a empresa vai seguir criando uma média de pelo menos 5 séries por ano. Segundo Ted Sarandos, “o objetivo é nos tornarmos a HBO mais rápido que a HBO possa se tornar a gente”. Será?

One thought on “A morte da TV a cabo como a conhecemos?

  1. Vinicius, agora dia 20 a Sony vai anunciar um grande anunciamento – muito provalmente o Playstation 4. Tu vai escrever sobre isso se for mesmo o PS4?

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