[ENTREVISTA] A hora do tubarangueijo

Oi, eu sou Goku. Não, não sou…droga!
Meu nome é Helquer Sales e  as mentes malignas do NGF me retiraram das selvas sul-africanas onde eu lutava com suricates por dinheiro pra escrever sobre cartinhas do diabo (também conhecido por uns poucos não-iluminados como Magic: the Gathering).

Meu plano inicial era falar sobre a  minha experiência no GP São Paulo, mas tirando uma briga no ônibus com um bêbado e ganhar do TEAM EDEL PORRA CARALHO SOU PICA GANHEI DOS MELHORES DO BRASIL ME CHUPA! minha trajetória no GP foi bastante mediana e morreu na praia com a terceira derrota no sétimo round, terminando o torneio com 4-3-1 #xatiado.

Pra compensar eu trouxe alguém bem mais interessante!

No canto esquerdo pesando 108 kilos, com 11 top8 em PTQ, 3 top32 em GPs e um nono lugar no nacional TÚLIO SHAMBLESHAAAAAAAAAARK JAAAAAAAAAAAAAAAAAUDY!

Nosso entrevistado de hoje tem 28 anos, é funcionário público e joga cartinhas do diabo há 15 anos.

 

Trophy

[NGF] Em  22 de Janeiro você postou num artigo do Carlos “batutinha” Esteves: “Bora lá Batuta, crava um PTQ agora no começo do ano, que um GP no meio do ano tá ganho já!!!”. 

Bravado a parte,  você mostrou proeza no limitado fazendo top8 no maior PTQ limitado do Brasil no rio, e repetindo o feito em Brasília, mas sem conseguir levar pra casa a  vaga no pro tour. Como foi sua preparação para o formato?

[Tulio]  Na verdade eu não me preparo pra eventos limited o tanto quanto poderia(deveria?). Meus únicos selados foram os pré-releases de papel, e joguei apenas uns 20 drafts no Magic Online, não fazendo final em nenhum, e desistindo de vez do formato. Limited sempre foi meu tipo de torneio favorito(estranho para alguém que ama montar decks atrás de decks o tempo todo dentre os vários formatos constructed vigentes), em especial selado. Para mim, ter que tirar leite de pedra das pools que são abertas é uma obra de arte, e a tarefa que mais exige habilidade no Magic. Dito isto, eu não acho que treino prático ajuda muito em selados, em contraste com drafts. Acho que teoria e experiência são suficientes e fundamentais em selados, e prática e teoria são fundamentais em drafts. Como é possível perceber, a falta de treino não influenciou meus resultados nos selados(me levando aos Top8s), mas me fez não seguir adiante depois de chegado lá

 

[NGF] Uma marca registrada sua é a  camisa do Team Rush, e alguns colegas de time jogaram o GP, mas você escolheu jogar o torneio com Batutinha e  Rastaf. Como foi feita  a escolha do time?

[Tulio] Na verdade o trio do meu mentor, meu maior ídolo no Magic, o Elton Fior, estava com uma vaga disponível, pois o Vagner Casatti não iria participar do GP, então eu me candidatei e ele o Robson Silveira me aceitaram de braços abertos, com o aviso de que se o Casatti conseguisse participar, eu sairia. Isso acabou acontecendo e, quando fiquei disponível, todos do Team Rush que viajariam já possuíam times. Mas não se passaram nem duas horas que eu estava sem time, e Rastaf e Batutinha entraram em contato comigo via Facebook, me perguntando se eu gostaria de jogar o GP com eles(e eles nem sequer sabiam que eu estava disponível!)

 

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[NGF] Você é um mestre deckbuilder, e uma criação sua, o UG Flash foi reconhecida internacionalmente após sua vitória no PTQ Rio. Como você acha que suas habilidades como deckbuilder influenciam seus bons resultados no limitado?

[Tulio] Kkkkk “mestre deckbuilder”. Isso é porque vocês só ficam sabendo do que dá certo. Eu acho que influencia bem pouco, deckbuilding no constructed é um outro mundo, completamente. No constructed você tem que tentar projetar quais serão os decks mais usados naquele torneio específico, e atacá-los de uma maneira que eles não esperam, ou que seja indefensável pra eles, em limited você basicamente tem que tentar fazer o melhor possível dado o que te foi disponibilizado.

[NGF] Seus resultados recentes te colocam no topo da cadeia alimentar do Magic nacional. O que você acha necessário pra alcançar reconhecimento a  nível internacional?

[Tulio] Sem ser modesto(que eu normalmente não sou mesmo), eu sempre tive a sensação de que meu nível de jogo era bem maior do que meus resultados demonstravam.(muita gente me dizia isso também) Em uma entrevista que dei perto do final do ano passado, eu manifestei meu intenso desejo de fazer isso mudar. Quando fui perguntado sobre minhas metas de 2014, respondi: “Minha meta é fazer top4 em um GP e jogar pelo menos dois dos Pro Tours de 2014, quebrando meu tabu em top8s de PTQs. Se for possível eu também gostaria de ganhar um WMCQ por que eles te proporcionam participar em um evento único e bem diferente do usual.” Agora falta só o WMCQ, mas já estou sonhando mais alto, com o tal reconhecimento a nível internacional que vc citou. Acho que o que falta, além obviamente de um resultado bom em um Pro Tour, é as pessoas mundo afora me conhecerem mesmo. Eu parei de jogar Magic Online há cinco anos, e como só joguei 1 Pro Tour até hoje, poucos me conhecem fora do Brasil. Espero conseguir mudar isso, e colocar o nome da Rush no topo do mundo.

Semis_Jaudy

 

[NGF] E o torneio? Quais foram os pontos altos e baixos? Em algum momento você achou que o sonho ia morrer na praia?

[Tulio] Não houve pontos baixos. Tínhamos Batutinha, com sua fé inabalável na vitória e alegria contagiante, que jamais deixaria que houvesse um ponto baixo. Tínhamos Rastaf, com sua liderança, frieza e calculismo que jamais nos faria trocar os pés pelas mãos. E tínhamos a minha coragem e inconsequência, que nos fez ganhar partidas praticamente perdidas, mais notavelmente a que nos levou ao Top4, quando me recusei a jogar para não perder, e arrisquei enviar um 3/2 flyer para o fundo com a Estrela-do-Mar, para tentar comprar o Launch the Fleet, que ganharia a partida, e ele estava lá.(Rastaf não queria nem que o Launch estivesse no meu deck, e nem ele nem Batutinha concordaram em enviar o 3/2 para o fundo do deck, mas me abraçaram muito forte de alegria quando o Launch apareceu). Se houve um momento em que eu achei que poderia morrer na praia, foi esse, antes de ver qual seria a compra do turno(mesmo de certa forma “sabendo” que o Launch estava lá).

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[NGF] Pra terminar, Edel expôs em entrevista para a wizards algumas dificuldades para o jogador latino que quer subir de nível. Qual sua opinião sobre o assunto?

[Tulio] Eu concordo que existem várias dificuldades, mas acho que isso já melhorou muito, e penso que jogadores do eixo Rio-São Paulo quase não sofrem perto do que nós que moramos no “interior do Brasil”. Sério, tente ver como é difícil ser jogador de Magic competitivo morando em Cuiabá e você vai saber do que estou falando. Por exemplo para remarcar meu vôo para poder participar do GP São Paulo, gastei 770 reais, fora aluguel de carro, e outras coisas. Agora imagine viajar para fora do país… Talvez a realização de mais de um GP por ano em território brasileiro melhorasse mais a situação, mas eu acho que outras coisas poderiam ser feitas. Por exemplo: 5 PTQs por temporada, todos próximos do “centro do Brasil”, Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília. A realização de um Campeonato Nacional, por exemplo com os 12 melhores colocados na temporada PWP Anual e os 4 melhores na temporada de Professional Points, dando vaga para a World Cup(no lugar do melhor colocado em Professional Points), e no próximo Pro Tour. Acho que é isso, espero ter contribuído e que tenham gostado. Abraços a todos!

 

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a arma secreta