[CULTURA] 1984: Por que este foi um ano histórico para a cultura pop mundial?

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(texto original de Eric Diaz, traduzido, adaptado e editado livremente por Rodrigo F. S. Souza)

1984 foi um grande ano para a cultura pop de todos os tempos. Sem dúvida foi o ano que moldou o resto daquela década, e indiscutivelmente até mesmo os trinta anos seguintes.

Pra começar, no mundo da música, 1984 foi o ano em que a “Santíssima Trindade” das Superestrelas Pop foi oficialmente coroada; o videoclipe de Thriller de Michael Jackson foi lançado em dezembro de ‘83, mas dominou as transmissões de rádio e TV da primeira metade de 1984, e, pra falar a verdade, do resto daquele ano. Não existia YouTube na época, por isto se você quisesse assistir o clipe, tudo que você podia fazer era sintonizar na MTV e esperar por uma hora ou mais… ele era exibido sem parar, virtualmente em loop. Prince teve seu grande sucesso com seu álbum 1999 no ano anterior, mas ninguém estava preparado para o rolo compressor que foi a trilha sonora de Purple Rain. E finalmente, depois de batalhar por anos em clubes de dança de Nova York, Madonna finalmente alcançou o top dez das paradas de sucesso com músicas como Borderline e Lucky Star, antes de terminar o ano saindo de um bolo de casamento gigante cantando Like A Virgin, se contorcendo no chão e ofendendo pais de todos os cantos. Ela se tornou um nome conhecido naquela noite. Estas três superestrelas pop – todas nascidas em 1958, dois negros e uma mulher – dominaram o mundo da música naquele ano, e mudaram a forma como enxergávamos a música pop para sempre. Daquele ponto em diante eles dominaram o resto daquela década e continuaram até a próxima. As Mileys, Biebers e Chris Browns de hoje em dia tentam, de uma forma ou de outra, emulá-los, na esperança de terem pelo menos metade de seu poder de duração.

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As séries infantis e a cultura dos brinquedos gerou um negócio multi-bilionário naquele ano, conforme linhas de brinquedos como He-Man e os Mestres do Universo, Comandos em Ação (G.I. Joe), e Transformers ganharam séries animadas de meia hora de duração que eram exibidas cinco dias por semana, todas buscando vender produtos para crianças disfarçados de narrativas televisivas. Mas considerando o enorme sucesso de bilheteria dos filmes live-action de Transformers e G.I. Joe nos dias atuais, e os constantes rumores de um filme do He-Man, os efeitos daquelas séries animadas são outro exemplo de como a cultura pop de 1984 ressoa até hoje.

E então tivemos os filmes. Os Caça-Fantasmas, Gremlins, O Exterminador do Futuro, A Hora do Pesadelo, Indiana Jones e o Templo da Perdição, Karatê Kid, Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock, Um Tira da Pesada, Duna, Isto É Spinal Tap, Gatinhas e Gatões, Footloose, Amadeus, Splash, Purple Rain, A Vingança dos Nerds, A História Sem Fim, Chamas da Vingança…e a lista continua. A Hora do Pesadelo e Karatê Kid ganharam remakes recentemente, Exterminador do Futuro, Caça-Fantasmas, Gremlins e Indiana Jones têm continuações sendo planejadas. Resumindo, assim como na música e em outras áreas da cultura pop, ainda estamos meio que vivendo no mundo cinematográfico que 1984 criou.

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Para falar sobre os filmes de ‘84, um painel da WonderCon [convenção anual de quadrinhos, ficção científica e cinema que acontece em São Francisco], Greatest Geek Movies of 1984: Big Brother Wasn’t The Only One Watching When Doves Cried [algo como Os Melhores Filmes Geek de 1984: O Grande Irmão Não Foi O Único Que Estava Assistindo When Doves Cried - sendo “When Doves Cried” uma música do Prince da trilha de Purple Rain], reuniu amantes do cinema e profissionais como Ashley Miller (co-roteirista de Thor e X-Men: Primeira Classe), David E. Williams (editor da GEEK Magazine), Robert Meyer Burnett (Free Enterprise), Daren Dochterman (Star Trek: Phase II), Steve Melching (Clone Wars, Transformers: Prime), Chris Gossett (Red Star) e o moderador Mark Altman (DOA: Dead or Alive). Depois de mostrarem um clipe com cenas de filmes de ‘84, eles partiram logo para uma conversa sobre o que pode ter sido o melhor ano do cinema de todos os tempos.

Então, porque 1984 foi um ano tão bom para o cinema? Quando perguntado sobre o por que de O Exterminador do Futuro original de James Cameron ser tão influente até hoje, por exemplo, Ashley Miller, que no momento está trabalhando em uma nova série pra TV baseada na franquia, disse: “Eis o por que de as pessoas acreditarem que ele funcionou… e quando digo pessoas, refiro-me às que assinam cheques. Os leigos acham que ele funciona porque Jim Cameron é um incrível diretor de atores. E, sim, a ação de Exterminador do Futuro vale cada dólar e centavo gastos, é impressionante… é ótima. Mas não é por isto que ele funciona, nem o por que de estarmos falando dele até hoje, e de, trinta anos depois, ainda discutirmos sobre quais outras histórias existem naquele mundo, mas porque, num nível emocional, as melhores histórias da franquia foram histórias de amor. O primeiro filme é um ‘garoto conhece garota’ sob as circunstâncias mais estranhas possíveis. Vemos Kyle Reese e Sarah Connor se apaixonando, e entendemos porque eles se apaixonaram. Acompanhamos estes filmes através da estrutura de perseguição porque nos importamos com os personagens principais, e porque eles se importam um com o outro. E quando você resume sobre o que é O Exterminador do Futuro, ele é uma história de amor.” Ao que Mark Altman complementou: “E é também sobre ombreiras almofadadas.” E Miller arrematou, “Ah sim, é sobre ombreiras almofadadas e penteados incríveis. Sarah Connor podia segurar balas com aquele cabelo.”

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O assunto mudou para outro enorme sucesso daquele verão, além de uma das continuações que mais dividem opiniões até hoje: Indiana Jones e o Templo da Perdição. Quando perguntado sobre o filme, Steve Melching de Clone Wars evocou suas memórias de infância: “O verão de 1984 foi realmente mágico, porque tivemos todos estes filmes criativos e inventivos que geraram estas franquias icônicas que duram até hoje. Eu adoro O Templo da Perdição, e vou defendê-lo, não porque ele seja um ótimo filme, mas porque ele tem uma energia incrivelmente insana que nenhuma das sequências de Os Caçadores da Arca Perdida tiveram, e tem uma ótima trilha sonora, e o melhor vilão das continuações… Mola Ram é um vilão louco e exageradamente divertido… Alguém consegue se lembrar do vilão de A Última Cruzada? Eu me senti espancado quando saí no cinema, porque os 45 minutos finais são uma longa sequência de ação.”

Outro filme de 1984 que divide opiniões é Duna de David Lynch, um ambicioso e caro fracasso quando foi lançado. Robert Meyer Burnett lembrou-se que odiou o filme quando o assistiu pela primeira vez, mas que passou a apreciá-lo com o passar do tempo. “Dezembro de ‘84 foi excitante para qualquer um que fosse fã de ficção científica, porque teve duas grandes adaptações de ficções científicas literárias sendo lançadas – 2010 de Arthur C. Clarke e Duna, que era baseada numa das cinco melhores ficções científicas de todos os tempos. Que já tinha a velha conhecida história envolvendo Alejandro Jodorowsky [que tentou adaptar o livro pro cinema em meados da década de ‘70]. Quando Duna foi lançado, eu pensei que já era incrível que o tivessem produzido. Mas era estranho… tinha aquele enorme croissant flutuante que dobrava o espaço, aquela criatura com uma boca que parecia uma vagina ondulante respirando no espaço, todo mundo usava couro, e tinha aquelas estranhas conotações homossexuais quando o Barão Harkonnen desplugava o coração de algum rapaz… Então eu odiei os efeitos visuais quando assisti pela primeira vez; as espaçonaves não eram legais, mas o desenho de produção era espetacular, eu odiei tudo, mas também estava obcecado por Duna, e ainda assim eu adorei Duna, e acabei assistindo várias vezes. E tinha trilha sonora de Toto! Quem contratou Toto? E o tema da profecia por Brian Eno! Aquele filme foi insanamente estranho.”

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Darren Dochterman disse que gosta muito de outro filme de ’84: O Último Guerreiro das Estrelas. Nele ocorreu um dos primeiros usos de computação gráfica em um filme voltado para uma audiência maior, que embora não tenha feito muito sucesso na época, encontrou seu público graças às suas exibições na TV a cabo e nas videolocadoras.

E é claro que não dá pra terminar uma conversa sobre filmes de 1984 sem falar do melhor daquele ano: Os Caça-Fantasmas. Steve Melching comentou sobre ele: “É uma mistura de programa humorístico com um conceito ridículo e paranormal de fantasmas, e um toque mundano. Eles parecem encanadores… mas saem por aí para capturar fantasmas. É uma mistura brilhante, que devia ter gerado uma franquia bem maior do que a realizada. Tivemos apenas uma continuação dele, e talvez isto seja uma coisa boa. Mas sua influência na cultura pop dura até hoje…”

Fonte: Nerdist

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